23º Foro de São Paulo: Ocasião oportuna para a esquerda da Nossa América

Internacionalismo

A América Latina e o Caribe estão vivendo tempos difíceis para a esquerda, mas, diante dessa realidade, os partidos, as organizações e os movimentos sociais progressistas da região têm uma nova oportunidade para fortalecer a unidade e adotar sua estratégia para a luta futura no 23º Encontro do Fórum São Paulo, que será realizado em Manágua, a capital da Nicarágua, nos dias 15 a 19 próximos.

Por Patricio Montesinos*

Durante esses dias, Manágua tornar-se-á a cidade das forças revolucionárias da Pátria Grande e do mundo, que atualmente enfrentam um ataque brutal da direita que, amparada e financiada pelos Estados Unidos, persiste em restaurar o fracassado neoliberalismo na Nossa América e favorecer os interesses hegemônicos de Washington.

Há algumas horas, o ex-presidente do Equador, Rafael Correa, disse, com sua precisão habitual, que a esquerda deve se unir, de uma vez por todas, para repelir uma oligarquia que boicota a verdadeira integração de todos os povos que se estendem desde o sul do Rio Bravo até a Patagônia.

Correa ressaltou que a direita e os governos conservadores na região encontram-se descaradamente articulados para impedir a verdadeira unidade e independência da Pátria Grande, e promover uma integração entre aspas, é claro, de mercado, do livre comércio e do salve-se quem puder.

O 23º Encontro do Foro São Paulo na Nicarágua pode entrar para a história como a reunião para marcar o caminho a seguir, para colocar um freio naqueles que, por todos os meios, incluindo o uso da força e das intervenções estrangeiras, persistem em derrubar governos populares e enterrar os movimentos progressistas da América Latina e do Caribe.

Um dos objetivos do encontro de Manágua é materializar uma real unidade, deixando de lado as diferenças que alentam os nossos adversários com claras intenções divisionistas. O encontro do FSP deverá adotar o “Consenso da Nossa América”.

Este texto será o primeiro documento programático do Foro de São Paulo, já aprovado pelo seu Grupo de Trabalho, que visa a impulsionar a luta das organizações de esquerda e dos movimentos sociais neste hemisfério.

É certo que os setores progressistas na região vivem uma conjuntura adversa, mas lembremo-nos do que o cubano líder histórico, Fidel Castro, sempre enfatizou: o revolucionário pertence aos tempos difíceis.

Com o otimismo que o caracterizou, mesmo na pior adversidade para o seu país e a Revolução que liderou e que comandará eternamente com seu legado, Fidel salientou que os revezes devem ser transformados em vitórias.

A Nicarágua, onde estará reunido o Foro São Paulo, é um exemplo claro de que as dificuldades podem se transformar em triunfos. A Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN), liderada pelo presidente desta nação da América Central, Daniel Ortega, o demonstrou mais de uma vez.

* Jornalista Espanhol, correspondente de CubaDebate na Bolívia

Fonte: CubaDebate, tradução de Maria Helena De Eugenio para o Resistência

Compartilhe: