Conferência Mundial dos Povos defende nova ordem mundial: “livre da desigualdade entre os seres humanos”

América Latina

Evo Morales: "Com unidade, qualquer agressão do capitalismo e do imperialismo pode ser enfrentada" / Foto: Freddy Zarco

A Conferência Mundial dos Povos, realizada na Bolívia, nos dias 20 e 21 de junho de 2017, postulou o estabelecimento de uma nova ordem mundial que implique a erradicação da guerra através da supressão da arquitetura financeira global e das desigualdades entre os seres humanos.

Em sua Declaração de Tiquipaya, cidade anfitriã dos quatro mil representantes e ativistas sociais de 43 países de 4 continentes, a Conferência exigiu o estabelecimento de “uma nova arquitetura financeira internacional, onde não existam instituições multilaterais a serviço do capital transnacional”.

Isto deveria consolidar “a propriedade social dos recursos naturais”, preconizou.

Convocada pelo presidente progressista da Bolívia, Evo Morales, a Conferência, que se reuniu em Tiquipaya, a 400 km de La Paz, pediu também aos presidentes da Colômbia, Equador e Espanha, Ernesto Samper; Rafael Correa e José Luis Zapatero, respectivamente (presentes ao evento), que a nova ordem internacional desse prioridade a uma nova forma da relação de gênero / do Estado com a Mãe Terra, em tempos em que a principal potência na história da humanidade, os Estados Unidos, rejeitam o Acordo de Paris, determinado a estabelecer uma nova proposta ecológica para as potências industriais para que se crie um esquema que reduza a temperatura global, por meio da diminuição da emissão de gases tóxicos na atmosfera.

“A coexistência harmoniosa com a Mãe Terra e o respeito pelos seus direitos, assumindo que a natureza pode viver sem os seres humanos, mas os seres humanos não podem viver fora dela, nem violando os seus direitos e destruindo o habitat”, insistiu.

A Conferência identificou a opulência como a causa da crise que assola a sociedade global e apelou por um novo parâmetro político de equidade.

“A construção da paz verdadeira, que não é apenas a ausência de conflitos armados, mas também a superação da violência estrutural que resulta no acesso equitativo à riqueza e ao desenvolvimento. Temos verificado como as principais causas desta crise, os conflitos armados e as intervenções militares, as alterações climáticas e as enormes assimetrias econômicas entre os Estados e internamente “, diz a Declaração Mundial dos Povos.

A Conferência dos Povos de Tiquipaya foi convocada logo após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ter aprovado a expulsão de 10 milhões de migrantes e a recente retirada daquele país do Acordo de Paris, como política de Estado, a partir de janeiro passado.

A crise migratória é uma das manifestações da crise integral da globalização neoliberal”, conceituou, ao defender o direito à mobilidade humana.

“É um direito enraizado na igualdade essencial dos seres humanos. No entanto, na maioria dos casos, não responde a uma decisão voluntária das pessoas, mas a situações de grande necessidade que chegam ao extremo que é uma migração forçada. À dor do desenraizamento, somam-se situações de injustiça, exclusão, discriminação a que estão submetidas as pessoas em trânsito e os países que as recebem atentam contra a sua dignidade, seus direitos humanos elementares, e não raro contra a sua própria vida”, lamentou Morales.

A Declaração procurou atacar o coração da política de imigração do novo presidente dos Estados Unidos, o ultraconservador Donald Trump e, através dela, a construção de muros contra a imigração na Europa, para os desterrados pelas guerras no Oriente Médio, e Israel em relação ao povo da Palestina.

A declaração portanto demanda “a destruição dos muros físicos que separam os povos, dos muros invisíveis e legais que os perseguem e criminalizam, dos muros mentais que se utilizam do medo, da discriminação e da xenofobia para afastar irmãos.”

“Este trabalho aqui realizado, os pontos discutidos e as resoluções devem ser implementados e compartilhados e, quando nossas bases estiverem informadas, automaticamente se gestará a unidade com projeções e grandes esperanças”, declarou o Chefe de Estado em sua intervenção no encerramento do encontro.

A declaração de Tiquipaya estabelece um decálogo de propostas para derrubar muros e construir uma Cidadania Universal, que consagre o direito de todos e todas de ter e gozar em sua plenitude os mesmos direitos, para o bem viver da humanidade.

Assegurou que com a unidade de organizações sociais e partidos políticos de esquerda, as revoluções no mundo seriam “incontroláveis”.

Morales apelou aos dirigentes e representantes, presentes no evento, que se realiza desde a terça-feira (20), que, com unidade, qualquer agressão do capitalismo e do imperialismo pode ser enfrentada e, como exemplo, citou a luta do povo boliviano, que mudou a sua situação política, econômica e social, a partir da Assembleia Constituinte e da nacionalização dos recursos naturais.

“Irmãs e irmãos, é preciso muito pensamento e responsabilidade, porque muitas vezes tentarão nos dominar, mas só quero dizer que, enquanto existir capitalismo e imperialismo a luta não terminou”, lembrou o presidente.

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