Internacionalismo

Daniel Ortega: “O mundo será eternamente grato à Revolução de Outubro”

13/01/2017

O Grupo de Trabalho do Foro de São Paulo terminou nesta quinta-feira (12) seus trabalhos em Manágua, Nicarágua.

O discurso de encerramento foi feito pelo presidente nicaraguense, Daniel Ortega. Além de ressaltar os combates atuais da esquerda latino-americana, o líder da Frente Sandinista de Libertação nacional (FSLN) homenageou a Revolução de outubro na Rússia, que em 2017 completa o seu centenário. “O mundo será eternamente grato à Revolução de outubro”, enfatizou.

Entre as principais resoluções da reunião está, como noticiado pelo Resistência, a aprovação do documento Consenso de Nossa América como um programa de luta para unir a esquerda latino-americana e enfrentar a contraofensiva do neoliberalismo na região.

Na reunião, cerca de 40 delegados de partidos e movimentos de esquerda de 10 países, validaram a proposta da plataforma programática contida no documento de 24 páginas.

De acordo com os participantes da reunião, trata-se de um texto bastante completo para ser incrementado nos próximos anos, com base no desenvolvimento político do continente.

“Não a unidade como um slogan, mas como uma necessidade urgente para a esquerda avançar a partir do anti-imperialismo, a defesa da soberania e do direito de cada país escolher o seu próprio caminho”, disse Jorge Arias, vice-chefe do Departamento de Relações Internacionais do Comitê Central do Partido Comunista de Cuba.

Outros delegados concordaram que, 26 anos após a sua criação, o Fórum de São Paulo reafirma seu caráter progressista, revolucionário e unificador, para cerrar fileiras contra os golpes gestados pelo imperialismo e as oligarquias nacionais a seu serviço.

A este respeito, observaram que enquanto a democracia avança com os movimentos sociais e populares, a democracia eleitoral está sendo atacada por golpes militares, como Honduras, ou do tipo parlamentar e judicial como ocorreu no Paraguai e no Brasil.

“Creio que a reunião foi muito proveitosa”, declarou Jacinto Suarez, chefe do Departamento Internacional e vice-presidente da Frente Sandinista de Libertação Nacional, fazendo notar o significado do documento, dedicado ao ‘grande herói da unidade e da solidariedade latino-americana, Fidel Castro’.

Durante as sessões de trabalho, esta iniciativa política foi apoiada por vários governos de esquerda. Em primeiro lugar, pelos presidentes Daniel Ortega, da Nicarágua, e Nicolas Maduro, da Venezuela, e pelo vice-presidente de Cuba, Miguel Diaz Canel.

Após o evento, foi confirmado que o próxima encontro do Fórum de São Paulo será em Manágua de 16 a 18 de julho, como parte das comemorações do 38º aniversário da Revolução Sandinista.

O presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, declarou que o progresso revolucionário alcançado na nossa América é irreversível e não há governo de direita que possa fechar os espaços e os caminhos abertos em cada país.

“Espaços e caminhos que já não podem ser fechados por governos conservadores que possam se estabelecer em nossa região”, disse o presidente nicaraguense.

De acordo com o presidente nicaraguense, os revolucionários latino-americanos estão de acordo com que é preciso fazer a batalha das ideias.

Ortega disse ainda que o caminho tem de ser pavimentado constantemente, porque os adversários usam sempre todas as suas armas para tentar destruir esses processos, como as tentativas de golpe.

Por outro lado, disse que a proposta que funcionou até agora está baseada na distribuição da riqueza, o que é ruim para aqueles que querem a sua concentração, o que, por sua vez, gera instabilidade, insegurança e violência.

O grande debate é a luta contra a pobreza, embora os opositores políticos vejam isso como uma conspiração, disse ele.

Ortega disse também que a insegurança, o crime organizado e o tráfico de drogas, o direito à saúde, educação, emprego, segurança social, acesso aos recursos e tecnologias para combater a mudança climática, são questões que afetam as pessoas e que estão na agenda do Fórum de são Paulo.

Dando seu testemunho pessoal em relação aos contatos com os líderes soviéticos e dos países de campo socialista, Ortega disse que a marca das relações com estes países era a ajuda desinteressada, baseada no internacionalismo.

“Ofereciam ajuda sem jamais pedir que fizéssemos ou deixássemos de fazer algo em troca, o respeito era absoluto, tampouco falavam em pagarmos isso e aquilo, coisa impensável para os dirigente de um país imperialista. Além de ajuda material, milhares de nicaraguenses estudaram de graça na União Soviética, na República Democrática da Alemanha e na Tchecoslováquia, formando-se em diversas áreas: engenharia, medicina, artes. A maioria dos músicos que vocês ouviram tocar em minha cerimônia de posse (terça-feira, dia 10) estudou música na União Soviética”.

Para Ortega, “a Revolução de outubro não foi derrotada, pois “seus frutos permanecem. A derrota do fascismo, a libertação dos povos do jugo colonial, fazem com que o mundo seja eternamente grato à Revolução de outubro, à União Soviética, e ao exército vermelho”.

Redação de Resistência e agências

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