Em entrevista a jornal mexicano Dilma diz que golpismo provocará explosões sociais

Brasil

A presidenta Dilma Rousseff afirmou em entrevista ao jornal mexicano La Jornada publicada neste domingo (24), que se o Senado confirmar o golpe parlamentar contra seu mandato legitimamente conferido pela população brasileira, o país incorrerá em profunda desestabilização social.

“Estes processos golpistas podem trazer consequências imprevisíveis”, afirmou Dilma. “Você pode esconder as coisas, mas em última análise, um golpe é um golpe. Ninguém pode acreditar que alguém dá um golpe e tudo é como era. Ninguém pode supor que esses processos ilegítimos não deixam marcas”, alertou.

Dilma fez uma análise sobre o avanço das elites na América Latina para derrubar governos democráticos, citando exemplos como no Paraguai e em Honduras.

“Honestamente, eu nunca imaginei, eu não acreditava que o Brasil chegaria a violar a cláusula democrática estabelecida no âmbito do Mercosul e da Unasul para preservar um governo constitucional. Eu nunca pensei que estavam orquestrando um ataque contra mim que fui eleita por 54 milhões de cidadãos, uma conspiração por alguém que não tem um único voto”, disse Dilma, referindo-se ao vice-presidente Michel Temer.

A presidente Dilma Rousseff descreveu da seguinte forma a realidade atual do País: “O que estamos enfrentando é uma imagem de tranqüilidade aparente que, mais cedo ou mais tarde, acabará por rebentar, porque você não pode sustentar indefinidamente a ocultação da realidade, e a realidade é o golpe”, afirmou.

Sobre protestos durante os Jogos Olímpicos da Rio 2016, a presidenta Dilma disse que não pode controlar os movimentos sociais. “Nós não controlamos esses movimentos a partir daqui, o Palácio da Alvorada. Agora, eu acho que é lógico que haverá manifestações durante os Jogos Olímpicos. É processo típico os golpistas quererem silenciar os protestos, os governos que não têm votos são intolerantes. Os líderes do golpe querem sempre o silêncio.”

Fonte: Brasil 247

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