Governo e oposição síria chegam a amplo acordo em Sochi

Síria

Na declaração final de Sochi, governo e oposição síria rejeitam "o terrorismo, o fanatismo, o extremismo e o sectarismo em todas as suas formas" / Foto: Vestnik Kavkaza

Governo e oposição sublinham o respeito pela “soberania, independência, integridade territorial e unidade” da Síria, e que só ao povo sírio cabe decidir o futuro do país, no final de um encontro realizado em Sochi (Rússia) nos dias 29 e 30 de janeiro.

A declaração final foi aprovada pelos delegados ao Congresso de Diálogo Nacional Sírio, reunidos na cidade russa de Sochi “com o objetivo de pôr fim a sete anos de sofrimento” do povo sírio, procurando “chegar a uma base comum de entendimento sobre a necessidade” de acabar com a guerra no país.

No documento, com 12 pontos, defende-se, entre outros aspectos, que “só o povo sírio determinará o futuro do país”, bem como “a recuperação dos Montes Golã ocupados”.

Para além da definição dos princípios “democráticos e não sectários” que devem caracterizar o Estado sírio, empenhado na defesa da “unidade nacional” e na melhoria do “funcionamento das instituições públicas e estatais”, o texto afirma que o Exército sírio, de caráter nacional, deve dar continuidade às funções de “proteger as fronteiras nacionais e o povo das ameaças externas e do terrorismo”.

Sublinhando “o respeito e a proteção dos direitos humanos e das liberdades públicas”, a declaração rejeita “o terrorismo, o fanatismo, o extremismo e o sectarismo em todas as suas formas”, que devem ser combatidos ativamente.

Os representantes do “orgulhoso povo da Síria” – que, muito tendo penado, encontrou “forças para lutar contra o terrorismo internacional” – declaram a sua “determinação em recuperar o bem-estar e a prosperidade da pátria” e, para esse fim, concordaram em criar uma comissão constitucional.

Esta incluirá representantes da delegação ao Congresso do governo da República Árabe da Síria e da delegação, “amplamente representada”, da oposição, com o propósito de introduzir emendas à Constituição do país, elaborando “uma proposta de reforma constitucional como contributo para a resolução política, sob os auspícios das Nações Unidas”.

Êxito da iniciativa

A declaração final é um de vários documentos aprovados pelo Congresso, em que participaram perto de 1.400 delegados e mais de 50 observadores. Os números foram apontados pelo enviado especial do presidente russo para a Síria, Alexander Lavrentiev, que destacou o êxito da iniciativa, co-organizada pela Rússia, o Irã e a Turquia.

“Tentamos criar uma lista de convidados ao Congresso de modo que, sob o mesmo teto, se juntassem representantes de todas as camadas da população, tanto da oposição interna e externa como do governo”, disse Lavrentiev, acrescentando que esse objetivo foi alcançado e que, “motivados pelo sentido de responsabilidade e de patriotismo”, esses representantes foram capazes de encontrar uma via de diálogo, “sem debates tensos”.

Além da declaração final, foi aprovada “a lista de candidatos a integrar a comissão sobre a Constituição”, disse o diplomata russo, precisando que esta lista “será entregue em breve” ao enviado especial das Nações Unidas para a Síria, Staffan de Mistura, para que continue a trabalhar na sua composição, informa a RT.

Por seu lado, Sergei Lavrov, ministro russo dos Negócios Estrangeiros, considerou que o Congresso foi um êxito e disse esperar que as Nações Unidas tomem medidas para garantir a implementação dos acordos alcançados no encontro.

Na mensagem enviada ao Congresso pelo presidente da Federação Russa – lida por Lavrov –, Vladimir Putin defende que esta é uma boa oportunidade para “acabar de uma vez por todas com o terrorismo” e sublinha que “só o povo sírio tem direito a decidir o seu futuro”.

Ausências anunciadas e outros

Nem todas as facções da oposição se mostraram dispostas a participar no Congresso. A Comissão de Negociações Sírias (CSN), apoiada pelos sauditas, anunciou que iria boicotar o encontro de Sochi, enquanto a presença dos curdos foi “limitada”, depois de as Unidades de Proteção Popular (YPG) terem anunciado a sua ausência, em função da campanha militar que a Turquia está a levar a cabo contra os curdos, desde o passado dia 20, na região de Afrin (Noroeste da província de Aleppo).

De acordo com a PressTV, os trabalhos começaram com duas horas de atraso porque uma facção armada da oposição, apoiada pela Turquia, ameaçou não participar em protesto pela presença de bandeiras e emblemas sírios no recinto do encontro.

Citando a Reuters, a mesma fonte refere que os representantes dos EUA, da França e do Reino Unido “retiraram os seus representantes”, em virtude “da recusa do governo sírio se empenhar devidamente”.

Fonte: AbrilAbril

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