Marco Aurélio Garcia morre aos 76 anos

Luto

Foto: Fundación Para la Democracia

Marco Aurélio Garcia, ex-assessor da Presidência para Assuntos Internacionais nos governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, faleceu nesta quinta (20), aos 76 anos. Ele foi vítima de um infarto fulminante.

Destacado líder na construção e execução da política externa brasileira durante a gestão do ex-presidente Lula, ele teve importante papel na construção dos Brics e na decisão dos governos petistas de priorizar as relações Sul-Sul. Foi um dos organizadores do Foro de São Paulo, entidade que reúne a esquerda da América Latina e do Caribe.

Um dos fundadores do PT, Garcia era professor aposentado do Departamento de História da Unicamp e historicamente ligado à esquerda. Lecionou ainda na Universidade do Chile, na Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Chile) e nas Universidades de Paris-VIII e Paris-X (França).

Nos anos 60, foi vice-presidente da UNE e vereador na cidade de Porto Alegre. Entre 1970 e 1979, esteve exilado no Chile e na França.

Foi ainda secretário de Cultura nos municípios de Campinas (1989-1990) e São Paulo (2001-2002), e vice-presidente do PT de outubro de 2005 a fevereiro de 2010.

Coordenou o Programa de Governo do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições de 1994, 1998 e 2006, e o Programa de Governo da Presidente Dilma Rousseff na eleição de 2010.

Na última semana, ele participou, na sede do PCdoB, de encontro realizado pelas fundações Mauricio Grabois (PCdoB), Perseu Abramo (PT) e Leonel Brizola – Alberto Pasqualini (PDT).

Debatedor na mesa “Caminhos e alternativas para tirar o Brasil da crise e fazê-lo se reencontrar com a democracia, o Estado de Direito, o desenvolvimento e o progresso social”, ele avaliou que a atual reconfiguração do capitalismo brasileiro anula conquistas populares de muitas décadas e impõe “um programa autoritário e excludente”, rejeitado nas urnas.

“A democracia política, econômica e social não pode ver-se avassalada por uma coalizão empresarial, hegemonizada pelo capital financeiro, que busca impor ao país, contra a maioria da sociedade, legislações trabalhistas e previdenciárias regressivas, ao mesmo tempo em que fragiliza – quando não destrói – os componentes mais dinâmicos de seu sistema produtivo”, disse à ocasião.

Garcia defendeu que precisam ser criadas as bases para que o país experimente um prolongado período de crescimento sustentável do ponto de vista social, capaz de produzir a redução constante da pobreza e da desigualdade e ao mesmo tempo conseguir equilíbrio do ponto de vista macroeconômico. Para isso, ele apontou que é necessário que o Estado tenha forte presença em setores estratégicos da economia.

Fonte: Portal Vermelho

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