Milhares de pessoas protestam diante de parlamento grego contra novos ajustes

Grécia

Milhares de pessoas se reuniram na tarde desta quinta-feira (18) em frente ao parlamento da Grécia para protestar contra o novo pacote de medidas de austeridade que será votado esta noite na Câmara e que contempla novos cortes em pensões e aumentos de impostos.

Apenas um dia depois da realização de uma greve geral, cerca de 12 mil pessoas, segundo os dados da polícia, atenderam à convocação dos principais sindicatos para uma nova concentração de protesto.

A manifestação transcorreu majoritariamente em paz, exceto por alguns incidentes isolados protagonizados por grupos anarquistas que lançaram coquetéis molotov contra o monumento do Túmulo do Soldado Desconhecido que fica em frente ao parlamento, mas a polícia dispersou os distúrbios com bombas de gás lacrimogêneo.

Com cartazes e palavras de ordem, os manifestantes expressaram sua rejeição ao que ficou conhecido como o “quarto memorando”.

Trata-se do pacote de ajustes adicionais não previsto no terceiro resgate e que será aplicado uma vez que termine o programa atual.

O governo de Alexis Tsipras pactuou essas medidas com os credores com o objetivo de obter a perspectiva de um alívio da dívida.

O pacote que será votado hoje contempla, entre outros, um novo corte nas pensões a partir de 2019 e aumentos de impostos a partir de 2020.

O objetivo é economizar gastos estatais e investimentos adicionais no total de 4,9 bilhões de euros por ano.

Muitos manifestantes reconheceram que é tarde para fazer com que o governo dê marcha à ré em uma política que a maioria considera idêntica ou pior que a de governos de direita e centro, pois o esquerdista Tsipras assinou todas as exigências dos credores.

Maria, uma professora de 60 anos declarou à Agência Efe que se sente frustrada com o líder do partido Syriza (como muitos que votaram em Tsipras em 2015) que, segundo ela, “enganou duas vezes o povo, a primeira com o programa de Salonica, e a segunda com o referendo”.

Com isso, Maria se referia ao programa eleitoral de clara ideologia esquerdista com o qual o Syriza ganhou as eleições de janeiro de 2015 e que não foi aplicado, e ao referendo em que uma ampla maioria disse “não” ao terceiro resgate, que Tsipras, no entanto, acabou assinando.

Fonte: Agência Efe

 

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