No fio da navalha, Dilma precisa tomar iniciativa e promover unidade dos progressistas

07/07/2015

O Brasil está vivendo grave e aguda crise política que a qualquer momento pode transformar-se em crise institucional. São variadas as iniciativas políticas e jurídicas visando a derrocar o governo da presidenta Dilma Rousseff.

A convenção nacional do PSDB, realizada no último fim de semana foi mais um elo na escalada golpista. Os principais dirigentes desse partido, que funciona como centro aglutinador das oposições conservadoras e golpistas, entre eles o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, fizeram ataques agressivos à presidenta Dilma Rousseff, ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao Partido dos Trabalhadores.

O candidato derrotado à Presidência da República, Aécio Neves, reconduzido ao comando do partido, rebaixou seu discurso ao nível mais rasteiro ao afirmar que perdeu a eleição não para um partido político, mas para uma “organização criminosa”. O senador mineiro ofende, assim, a 54.501.118 eleitores que sufragaram a mandatária em outubro do ano passado e incumbiram-na de governar o país por mais quatro anos. O líder tucano agride também uma ampla coalizão de forças democráticas e progressistas que marcharam ao lado do PT em quatro sucessivas eleições presidenciais vitoriosas.

A convenção tucana discutiu “cenários alternativos”, para o caso de derrubada do governo. O partido que melhor representa a visão política e ideológica da direita brasileira tentou vender gato por lebre, proclamando as imaginárias qualidades que teria para governar o país. Esconde, sob o invólucro de falsa competência e suposto preparo, que levou o Brasil à ruína durante os oito anos [1995-2002] em que ocupou o poder. No conclave tucano apareceram também divisões importantes. A convenção foi o cenário em que Aécio, Alckmin e Serra tentaram acumular forças visando, cada um com sua ótica, à candidatura presidencial.

O discurso e as ações golpistas do PSDB constituem a principal vertente política da ofensiva reacionária, mas não a única. Convergem para o mesmo objetivo a instrumentalização política da Operação Lava Jato, o julgamento de procedimentos administrativos da presidenta Dilma em seu primeiro mandato pelo Tribunal de Contas da União, a tramitação de ação no TSE, impetrada pelos tucanos, pedindo a cassação da mandatária e a posse de Aécio, outras peripécias no âmbito do Judiciário, Ministério Púbico e Polícia Federal e a manipulação da opinião pública pela mídia privada monopolista, ator destacado da ofensiva golpista.

Destarte, vive o país uma situação emergencial, a mais grave desde que as forças progressistas exercem o governo. Uma intensa polarização política, na qual a direita sente-se forte para realizar em tal grau sua ofensiva, de que faz parte a aplicação de uma agenda conservadora contra os direitos civis, a democracia, os direitos trabalhistas e a soberania nacional, base para sua plataforma nos próximos embates políticos e eleitorais.

Decerto, as forças progressistas compreendem a natureza da crise, têm consciência do que está em disputa e a noção de que a resistência e a contraofensiva são também de caráter político.

O ponto de partida da resistência e da contraofensiva é a defesa do mandato legítimo e constitucional da presidenta da República, conquistado democraticamente pelo voto popular. Este é o aspecto fundamental do resguardo da democracia. Para isso, é indispensável mobilizar as forças vivas da nação, unir amplas forças políticas e sociais – partidos, movimentos populares e personalidades – numa frente de caráter democrático, patriótico e progressista, com uma plataforma mínima comum que considere como prioritárias as lutas pela democracia, o desenvolvimento econômico, a soberania nacional, os direitos dos trabalhadores e a realização das reformas. O esforço pela unidade implica o fortalecimento da aliança e do papel dos partidos que asseguram a existência da coalizão governamental e sua sustentação no Congresso Nacional, a plena sintonia entre a presidenta e o vice-presidente da República e entre os respectivos partidos, a despeito de os presidentes das duas casas legislativas, Renan Calheiros e Eduardo Cunha, ambos peemedebistas, estarem implicados na ofensiva golpista.

Igualmente, é preciso fazer valer a força institucional da Presidência da República, a autoridade da mandatária, seu contato e comunicação com o povo, a interlocução com os demais poderes republicanos e realizar esforços pela execução dos planos de governo em todas as áreas.

Fator decisivo para a defesa da democracia, do mandato da presidenta Dilma e a realização das reformas indispensáveis ao desenvolvimento nacional e o progresso social é o avanço do movimento popular. A mobilização do povo é o cimento da unidade e a força motriz da resistência, da luta e da contraofensiva.

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