Assembleia Nacional do Poder Popular de Cuba lança apelo pela paz e propõe o fim das armas nucleares

Luta pela paz

Diante do agravamento das tensões globais e do discurso belicista do presidente estadunidense Donald Trump na última Assembleia Geral da ONU, a Assembleia Nacional do Poder Popular (o parlamento nacional de Cuba) lançou uma declaração pela paz e o desarmamento, onde faz um chamamento a todos os parlamentos do mundo a se pronunciarem em defesa da paz mundial e pelo banimento das armas nucleares, considerando “que as armas nucleares são desumanas, imorais, eticamente indefensáveis e ilegais”. Leia, abaixo, a íntegra da declaração.

Declaração pela paz e o desarmamento

Comissão de Relações Internacionais da Assembleia Nacional do Poder Popular 

Conscientes de que a paz é um bem supremo, um direito humano e um anseio legítimo de todos os povos, e de que a existência de armas nucleares compromete seriamente qualquer possibilidade de conseguir a verdadeira paz e segurança internacionais;

Conhecendo a existência de 14.935 armas nucleares, das quais 4.150 estão prontas para ser usadas;

Conhecendo a proliferação de conflitos armados e exercícios militares em diferentes zonas do planeta, e a reiteração de ameaças de emprego da força incluídas as armas nucleares;

Conscientes de que o desenvolvimento, prova, produção, aquisição, posse, armazenamento e transferência, bem como o uso ou a ameaça de uso das armas nucleares, constituem um grave perigo para a sobrevivência humana;

Alarmados com as milionárias despesas militares destinadas à modernização de arsenais nucleares;

Recordando a contribuição à paz e à segurança regional e internacional do Tratado de Tlatelolco para a Proscrição das Armas Nucleares na América Latina e no Caribe, que estabeleceu a primeira zona livre de armas nucleares em um território densamente povoado;

Destacando a relevância de proclamar a América Latina e o Caribe como Zona de Paz, aprovada em Havana em 29 de janeiro de 2014 pelas Chefas e Chefes de Estado e de Governo da América Latina e do Caribe, reunidos na ocasião da II Cúpula da Comunidade de Estados Latino-americanos e Caribenhos (CELAC);

Convencidos da necessidade de impedir as consequências humanitárias do uso das armas nucleares e outras armas de destruição em massa;

Declaramos:

1. Respaldo absoluto à assinatura por Cuba do Tratado sobre a Proibição das Armas Nucleares;

2. Rejeição ao incremento alarmante das despesas militares, e às declarações da OTAN contrárias ao Tratado sobre a Proibição das Armas Nucleares;

3. Total repúdio às recentes ameaças pronunciadas pelo presidente estadunidense Donald Trump, perante a Assembleia Geral das Nações Unidas;

4. Que as armas nucleares são desumanas, imorais, eticamente indefensáveis e ilegais;

5. Que atingir um mundo livre de armas nucleares é uma reivindicação dos povos e exige ações concretas de todos os parlamentos do mundo.

Convocamos as parlamentares e os parlamentares de todas as nações a lutar por um Mundo de Paz, Livre de Armas Nucleares, e a realizar ações em apoio à decisão da Assembleia Geral das Nações Unidas de designar, por proposta do Movimento de Países Não Alinhados (MNOAL) e iniciativa de Cuba, o dia 26 de setembro como O Dia Internacional para a Eliminação Total das Armas Nucleares com o fim de mobilizar a comunidade internacional no propósito de conseguir o objetivo comum de um mundo livre de armas nucleares.

Os deputados e deputadas integrantes da Comissão de Relações Internacionais da Assembleia Nacional do Poder Popular da República de Cuba – Havana, 26 de setembro de 2017.

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