Por que o Partido Comunista da China mudará seu estatuto?

Opinião

Nas ruas de Pequim, boas vindas ao 19º Congresso / Foto: Gaio Doria

Ainda é cedo para dizer quais serão os resultados concretos do 19º Congresso do Partido Comunista da China com data marcada para início no dia 18 de outubro de 2017. Certamente estará na pauta o reordenamento da liderança do Partido com novos membros no Birô Político e demais instâncias partidárias. A consolidação da liderança do secretário-geral do Partido, Xi Jinping, tanto no plano prático quanto teórico será o fio condutor deste próximo congresso.

Por Gaio Doria*

Nos chama muito à atenção, conforme publicado na imprensa chinesa, que 90% dos delegados oriundos das forças armadas e polícia estão participando de um congresso do Partido pela primeira vez. Isso aponta que a questão militar e de segurança ocupará um papel proeminente nas discussões.

Seja como for, podemos afirmar com absoluta certeza que as mudanças se cristalizarão em modificações feitas nos estatutos do Partido.

O professor do departamento de História da Escola Central do Partido, Gao Zhonghua, afirmou que o estatuto do Partido não é imutável e estática. Ao longo de sua história, o Partido alterou seu estatuto 15 vezes, sempre com de acordo com as mudanças de conjuntura, tanto fora quanto dentro do Partido. O estatuto atual foi adotado em 1982 no 12º Congresso. Há uma espécie de tradição dentro do Partido Comunista da China de que o estatuto deve sempre ser atualizado para refletir avanços teórico-práticos.

Isto porque, de acordo com a liderança chinesa e um número considerável de intelectuais, dentre eles o próprio Gao Zhonghua, o estatuto do Partido expressa o processo de consolidação da sinicização (1) do Marxismo. O argumento da liderança chinesa é que essas alterações demonstram um panorama concreto do estado atual do Partido, sua maturação teórica e organizacional.

No entanto, as mudanças no estatuto nunca são de cunho drástico. Cai Mingzhao, membro do 18º pleno e presidente da agência de notícias Xinhua (Nova China) disse na época do 18º Congresso que ao alterar o principal documento do Partido é necessário manter uma estabilidade e modificar apenas os pontos que sejam necessários.

Em termos operacionais, Pequim já iniciou os preparativos para a realização do evento político mais importante do país. As ruas estão enfeitadas com dizeres desejando sucesso ao congresso. A internet tem recebido um monitoramento extra, em especial com o recente bloqueio do aplicativo Whatsapp. O feriado em comemoração à vitória da Revolução, com duração de uma semana, ofereceu o momento ideal para estabelecer e reforçar os esquemas de segurança.

Por fim, este congresso se reveste de importância especial. O secretário-geral Xi Jinping tem recebido críticas contundentes da mídia e academia ocidental por sua suposta tendência autoritária quando se trata de assuntos internos da China. No cenário internacional, a China tem presença nos grandes conflitos geopolíticos. Veremos em breve como o gigante asiático se posicionará frente as diversas questões da atualidade.

* Mestre em economia pela Universidade do Povo da China onde atualmente faz o doutorado em Filosofia Marxista; militante do PCdoB, colaborador da Comissão de Política e Relações Internacionais e do site Resistência e colunista do Portal Vermelho

1 – Neologismo: Adaptação do marxismo às características históricas e culturais da China (Nota da Redação)

Fonte: Portal Vermelho

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