Saudação do PCdoB ao 31º Congresso do PCU

Movimento Comunista

O Partido Comunista do Uruguai (PCU) realizou, nos dias 2, 3 e 4 de junho, o seu 31º Congresso (leia aqui a resolução final). O PCdoB foi representado pela camarada Ana Maria Prestes, membro do Comitê Central e da Comissão de Política e Relações Internacionais. Leia abaixo a íntegra da mensagem enviada pelo PCdoB aos comunistas uruguaios. 

AO 31º CONGRESSO

Queridos camaradas, em primeiro lugar gostaria de transmitir aos militantes e dirigentes do Partido Comunista do Uruguai as mais calorosas saudações do Partido Comunista do Brasil pela realização do seu 31º Congresso. Trago aqui esta saudação em nome do Comitê Central do meu partido e de todos os militantes do PCdoB, que reconhecem o PCU como um partido irmão.

O Partido Comunista do Uruguai é um valioso e imprescindível exemplo de coerência e honradez revolucionária que orgulha a todos os que trilham a gloriosa, mas árdua, senda da revolução socialista na América Latina e no mundo.

Como revolucionários comunistas latino-americanos as trajetórias de nossas organizações têm muitos pontos de semelhança. Para entender por que isso ocorre, permitam-me citar o trecho de um artigo escrito em 1957 pelo inesquecível dirigente comunista, Rodney Arismendi, referindo-se à trajetória do PCU: “A história de nosso Partido, desde o ponto de vista de sua formação, pode dividir-se em quatro etapas. Em cada uma delas o Partido cometeu erros, mas no essencial, mesmo que através de zigzags em sua marcha, ele tem avançado em seu processo ideológico e em uma mais ajustada compreensão das grandes tarefas nacionais. Isso foi possível, mesmo nas horas de crises, porque em todos estes períodos nos une um traço comum: a acertada avaliação no Partido do papel histórico da revolução russa e da obra extraordinária do grande Partido formado por Lênin”.

De fato, nossos partidos nasceram inspirados no exemplo imortal da Grande Revolução Socialista na Rússia em 1917, que este ano comemora seu centenário. O PCU surgiu em 1920, o PCdoB foi fundado apenas dois anos depois, em 1922.

Nesta longa trajetória revolucionária, PCU e PCdoB jamais abandonaram o posto de combate em defesa da democracia, da soberania nacional e do socialismo.

No Uruguai, o partido, coletivamente, mas com a inegável contribuição deste grande dirigente e teórico Rodney Arismendi, formulou um caminho próprio para a conquista do socialismo, unindo amplitude política e firmeza ideológica. O correto conceito de Frente Ampla, tão atual e tão necessário, teve no PCU um pioneiro na América Latina.

Durante os doze anos da Ditadura Militar no Uruguai, o PCU mais uma vez provou sua têmpera, sendo inegavelmente a coluna principal da resistência democrática.

Pagou com isso um alto preço, oferecendo generosamente à história, inúmeros mártires, vítimas dos verdugos fascistas, e muitos heróis populares que resistiram bravamente à tortura, à clandestinidade e ao exílio.

A ditadura militar uruguaia iniciou-se em 1973, nove anos depois da ditadura militar brasileira. Também no Brasil os comunistas, no campo e na cidade, pela luta de massas ou através da luta armada, resistiram ao arbítrio e à opressão.

Com a queda do campo socialista, no início dos anos 90 do século passado, a ideologia burguesa, temporariamente triunfante, pregava o “fim da história” e a eternidade do capitalismo. Enquanto muitas organizações sucumbiram, o PCU e o PCdoB decidiram, enfrentando duros embates, manter bem alta a bandeira da revolução e do comunismo.

O histórico dirigente do PCdoB, João Amazonas, escreveu em 1998:

“O movimento revolucionário mundial atravessa uma fase de dificuldades devido à derrota do socialismo na União Soviética e no Leste europeu. A burguesia canta vitórias. Mas a derrota é passageira. O movimento comunista se reorganiza corrigindo os erros cometidos, valorizando a experiência adquirida. Ergue bem alto a bandeira do socialismo como única alternativa à crise estrutural do capitalismo decadente (…) Ainda que a burguesia continue dominando boa parte do mundo, submetendo pela força os trabalhadores e os povos, mostra-se cada vez mais decadente e em decomposição. Vive em crise permanente.”

Camaradas, a vida vem dando razão a esta análise. Diante da crise sistêmica e estrutural do capitalismo, acentua-se a tendência belicista do imperialismo e os seus representantes recorrem, cada vez com maior frequência, ao terrorismo estatal, no plano militar, e ao neofascismo, no plano político, tentando com isso perpetuar o domínio do capital sobre a humanidade.

Esta ofensiva reacionária, criada, impulsionada e financiada desde os países centrais do imperialismo, atinge poderosamente a América Latina. Onde quer que exista um governo de caráter popular em nossa região repetem-se, com variações e tonalidades próprias de cada realidade nacional, os mesmos métodos de desestabilização e sabotagem. Destaca-se o caso da Venezuela, onde a Revolução Bolivariana resiste bravamente contra uma direita terrorista que conta com apoio e financiamento dos EUA e o incentivo de uma mídia empresarial facciosa e manipuladora.

No Brasil, como sabem os camaradas, há pouco mais de um ano um governo golpista foi instalado. À margem de qualquer legalidade constitucional afastaram uma presidenta eleita pelo voto popular, Dilma Rousseff, e colocaram em seu lugar um governo usurpador, que tem como missão principal solapar a soberania nacional, sabotar o processo de integração latino-americana e retirar direitos sociais. Este governo, formado por notórios corruptos, está prestes a desabar por conta de comprovadas ilegalidades cometidas pelo ilegítimo presidente Michel Temer. Diante disso a direita busca uma solução antidemocrática: a eleição indireta, pelo Congresso Nacional, controlado pela direita, de um novo presidente comprometido com a pauta de ataque aos trabalhadores e ao país. O campo popular segue na resistência, enfrentado a repressão, mobilizando os trabalhadores e buscando esclarecer as massas.

Aproveitamos este momento para agradecer à constante solidariedade dos comunistas uruguaios para com o povo brasileiro. Registramos também agradecidos a última nota de Solidariedade ao Povo Brasileiro, emitida pela Comissão Executiva Nacional do PCU no dia 25 de maio, à qual demos ampla divulgação em nossas páginas na internet.

Camaradas, os comunistas russos, tendo à frente Lênin, realizaram a maior e mais inesquecível façanha da classe operária e dos trabalhadores, feito que marcou o século XX e mudou a história da humanidade: a revolução socialista de 1917 e a construção da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS). Decorridos 100 anos deste grandioso acontecimento, a crise sem fim do capitalismo e a investida furiosa do imperialismo sobre os povos confirmam dramaticamente todos os prognósticos que os principais teóricos do marxismo-leninismo prenunciaram e recolocam na ordem do dia a luta pela alternativa socialista. Portanto, o tema do vosso Congresso: “Para avanzar en democracia hacia una democracia avanzada rumbo al socialismo, construyendo el partido de la revolución”, é atual, necessário e as resoluções do 31º Congresso trarão certamente um aporte elevado para o conjunto do movimento comunista internacional.

Encerro de novo com palavras de João Amazonas, em 1997:

“Assim será o século XXI. Em seus começos, haverá sombras e luzes, mais sombras do que luzes. Depois, o quadro se inverterá. A humanidade viverá tempos de grandes esperanças”.

Viva o 31º Congresso!

Viva o internacionalismo proletário!

Viva a unidade das forças progressistas e revolucionárias!

Viva o Partido Comunista do Uruguai!

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