Socorro Gomes debate, no parlamento Europeu, a proibição de Armas Nucleares

Luta pela paz

A presidenta do Conselho Mundial da Paz, Socorro Gomes, participará, como palestrante, do evento “O Tratado das Nações Unidas sobre a Proibição de Armas Nucleares”, que ocorrerá nesta quarta-feira (10), em Bruxelas, no Parlamento Europeu.

CartazSocorroO debate é uma iniciativa do Grupo Confederativo Esquerda Unitária Europeia / Esquerda Verde Nórdica. Socorro Gomes elogiou, em declarações ao Resistência, a iniciativa do GUE/NGL, pois “a luta contra as armas nucleares assume cada vez maior abrangência”.

Ela lembrou que o Conselho Mundial da Paz “desde a sua fundação luta contra as armas nucleares e tem como seu documento fundamental o Apelo de Estocolmo”. E destacou que na sua última Assembleia realizada no Brasil, em novembro de 2016, o CMP reafirmou sua posição de princípios, como afirma uma de suas resoluções: “A abolição das armas nucleares é mais urgente do que nunca, se desejarmos evitar uma catástrofe humana como a experimentada pelos japoneses em Hiroshima e Nagasaki, há 71 anos, ou de proporções maiores. O estoque global de ogivas nucleares e os novos desenvolvimentos em tecnologia de armas nucleares e mecanismos de deslocamento estão gerando proliferação”.

De acordo com a líder do movimento pela paz, “os promotores do militarismo e de políticas agressivas foram sempre as principais barreiras para o avanço do compromisso de abolir as armas nucleares”.

Socorro Gomes considera ainda que foi um fato relevante a aprovação na ONU, em julho do ano passado, com o voto de 122 Estados membros, do Tratado sobre a Proibição das Armas Nucleares, o qual estabelece que cada Estado parte se compromete a não produzir nem possuir armas nucleares, nem a transferir tais armamentos direta ou indiretamente. “É um marco importante na tomada de consciência de que uma guerra nuclear teria consequências catastróficas para toda a humanidade, uma posição em busca de soluções políticas e jurídicas no âmbito internacional a fim de constituir um instrumento juridicamente vinculante para a proibição das armas nucleares e sua total eliminação”. Ela ressalva que “o Tratado ainda não preenche os requisitos necessários para assegurar o objetivo perseguido, nem para diminuir a corrida aos armamentos nucleares, pois é juridicamente vinculante apenas para os países que aderirem , mas não os proíbe de fazerem parte de alianças militares com países possuidores de armas nucleares. Além disso, cada um dos países aderentes tem o direito de retirar-se do Tratado se decidir que eventos extraordinários relativos à matéria do Tratado põem em perigo os supremos interesses do próprio país. Ou seja, a qualquer momento qualquer país aderente pode abandonar o Tratado”. De acordo com a presidenta do CMP, “a maior limitação está no fato de que os países possuidores de armas nucleares não aderem ao Tratado, assim como não aderem os países da Otan que, mesmo não sendo possuidores dessas armas, hospedam em seus territórios bombas nucleares estadunidenses”.

Também participa do debate o Conselho Português para a Paz e Cooperação (CPPC), representado por sua presidenta, Ilda Figueiredo, bem como um representante da Campanha Internacional para a Abolição de Armas Nucleares – Ican na sigla em inglês, instituição que em 2017 recebeu o prêmio Nobel da Paz. Abaixo a programação detalhada.

Primeiro painel: O Tratado da ONU sobre a Proibição das Armas Nucleares, um passo importante para construir a paz no mundo

Sabine Lösing (GUE/NGL – Membro do Parlamento Europeu)

Leo Hoffmann-Axthelm – Responsável do contato da ICAN com o Parlamento Europeu (ICAN recebeu o Prêmio Nobel da Paz de 2017)

Maria do Socorro Gomes, Presidenta do Conselho Mundial da Paz

Merja Kyllönen (GUE/NGL – Membro do Parlamento Europeu) – declaração por vídeo

16h40-18h

Segundo Painel: A luta pela assinatura e ratificação do Tratado da ONU sobre a Proibição das Armas Nucleares em diferentes países

João Pimenta Lopes (GUE/NGL – Membro do Parlamento Europeu)

Ilda Figueiredo, Presidenta do Conselho Português para a Paz e Cooperação

Regina Hagen, membro da Direção do Büchel ist überall! atomwaffenfrei.jetz [Movimento da Paz Alemão]

Laura Lodenius, Diretora Executiva da União da Paz da Finlândia

Intervenção da audiência por movimentos internacionais e discussão

Kate Hudson, Campanha Britânica pelo Desarmamento Nuclear (CND), Secretária-Geral

Veronique Coteur, Representante da Ação Internacional porLibertação (INTAL)

Dennis Kyriakou, Movimento da Paz Cipriota

Considerações finais de João Pimenta Lopes (GUE/NGL – Membro do Parlamento Europeu)

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