Timochenko: “Deposição de armas não é o fim das Farc, é o fim da luta armada”

Colômbia

A Colômbia amanheceu nesta terça-feira (27), após mais meio século, com sua maior guerrilha totalmente desarmada, acontecimento que foi celebrado em ato simbólico no campo de trânsito de Buenavista, no município de Mesetas, departamento de Meta, no qual esteve presente o presidente da República, Juan Manuel Santos, e o líder guerrilheiro, Timoleón Jiménezs (Timochenko).

No discurso de encerramento do ato simbólico para o desarmamento, Santos disse que valeu a pena ser presidente da Colômbia para chegar a este dia.

O presidente acrescentou que a entrega das armas pela maior movimento rebelde no país é o símbolo da nova Colômbia, que está começando, com oportunidades para todos.

Santos considerou que, além dos acordos, “a paz é um acordo entre corações, a paz é o acordo de almas que entendem que há melhores maneiras de viver e resolver as diferenças”.

Ele descreveu como um absurdo o conflito interno armado que “não só nos levou mais de cinco décadas, mas algo pior: nós causou mais de oito milhões de vítimas em geral, e mais de 220 mil compatriotas mortos”, disse ele.

Por sua parte, Jimenez disse, no discurso que precedeu o presidente, que este dia não marca o fim das Farc, mas sim da luta armada das Farc. Timochenko afirmou que com o desarmamento eles cumprem o que prometeram a todos os colombianos e que agora esperam que o Estado faça o mesmo com a liberação de guerrilheiros que permanecem na prisão após seis meses de assinada a lei de anistia.

No final de suas breves palavras o líder rebelde disse: “Adeus às Armas, Adeus à guerra”, soltando então no ar dezenas de borboletas amarelas como um tributo ao colombiano, Prêmio Nobel de Literatura, Gabriel García Márquez.

Na abertura da atividade no campo de trânsito de Buenavista, o chefe da missão da ONU na Colômbia, Jean Arnaut, disse que os ex-guerrilheiros ficaram com apenas 700 fuzis para proteger os 26 locais espalhados por todo o país, onde se concentram mais de sete mil ex-combatentes.

Tomaram parte da cerimônia vários membros do governo nacional e do Secretariado das Farc-EP, bem como representantes da ONU, da Cruz Vermelha Internacional, do mecanismo tripartido de verificação e os embaixadores da Noruega, Johan Vibe; e de Cuba, José Luís Ponce, fiadores dos acordos de paz.

Os últimos passos ao redor da deposição total de armas de guerrilha foi precedida por quase quatro anos de negociações entre as Farc e o governo colombiano em Havana, tendo o acordo final sido alcançado em 2016, pondo fim a mais 50 anos de conflito armado interno.

Fonte: Prensa Latina

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