Venezuela: Eleições entre a paz e a confrontação

Opinião

Os venezuelanos irão às urnas no próximo 15 de outubro, com a alternativa de votar pela paz ou o confronto, como evidenciado pelas apostas das organizações políticas envolvidas no pleito.

Por Luis Beatón *

Por um lado, o Grande Polo Patriótico Simón Bolívar, em que se destaca o Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) e, por outro lado, a chamada Mesa da Unidade Democrática (MUD), marcham por caminhos divergentes.

O primeiro aposta no diálogo e na paz, enquanto a segunda se perde em “explorações” para não dialogar e busca a derrubada do governo, por qualquer meio.

“Nossa obrigação moral e política é tornar a paz verdadeira, consolidada e permanente. Somente assim, seremos capazes de enfrentar as seguintes etapas: continuar a combater a guerra econômica e construir um modelo econômico produtivo para o povo”, declarou Aristóbulo Astúrias, dirigente do PSUV.

O político é um candidato pelo estado de Anzoátegui, um dos 23 estados que elegerão seus governantes para os próximos anos, e a questão do enfrentamento da guerra econômica está entre suas prioridades, uma vez que este tema é algo que causa grandes problemas aos venezuelanos.

Istúriz pensa que devemos avançar para uma nova economia para estimular a produção e o desenvolvimento da República, e que aqueles que não cumprem as leis devem enfrentar o peso da justiça.

As campanhas em andamento dos candidatos do governo refletem que para eles, o principal, hoje, é garantir e aprofundar a revolução, o único meio de resolver os sofrimentos do povo venezuelano, enquanto que para a oposição apenas uma mudança restauraria o que denominam democracia.

É notório que, enquanto os que estão no poder apresentam um programa sólido que contempla todos os setores, na oposição isso é algo que não existe, nem sequer há indícios de que deixarão de entrar pelo caminho da violência, tal como o fizeram nos meses de abril e julho passados.

No entanto, uma amálgama de dirigentes da MUD, uma vez que nenhum deles tem raízes e poder mobilização, falseia a realidade quando diz que serão vencedores nos 23 estados e que desse triunfo virá “a nova luta para derrocar o governo com seus votos democráticos, rebeldes e subversivos”.

Essa falsidade pode ser compreensível, porque nessas eleições os prognósticos para adivinhar os resultados dos 23 estados pela lógica diferem em termos de elementos que influenciarão.

Recentemente, o jornalista e analista político venezuelano Eleazar Díaz Rangel resumiu a situação com uma proximidade impressionante da realidade.

“Estamos a duas semanas das eleições governamentais; no próximo domingo 15 de outubro, milhões de venezuelanos irão às urnas. Não se sabe quantos deixarão de votar. A abstenção pode ser alta. Não é nada fácil fazer previsões ou prognósticos. São 23 eleições com características distintas, embora coincidam no fato de que, na maioria, haverá apenas duas indicações, o governo e a oposição”.

Em sua análise, Díaz aponta cinco elementos a serem considerados, porque influenciariam o voto na oposição:

Dos 7.626.661 votos que receberam quando alcançaram a maioria na Assembleia Nacional, perderam grande porcentagem.

Lembram-se de quando diziam que a fila de votação era a última fila que o povo venezuelano enfrentaria? E que em seis meses haveria um novo governo? Não cumpriram quaisquer das promessas de campanha, lembrou o analista político.

Pensam que os venezuelanos se esqueceram do silêncio cúmplice que mantiveram ante as arruaças (guarimbas) e outros atos violentos durante três meses? Ressaltou.

Esse mesmo silêncio (dizem que quem cala, consente) ante as sanções e ameaças de invasão desde Washington, revela cumplicidade e posições anti-venezuelanas. E tira os votos da oposição, agregou Díaz.

Do mesmo modo, há “divergências internas na participação eleitoral, com o grupo Resistência e outros extremistas radicalmente opostos. Certamente se absterão. Não se esqueçam do que Marianela Salazar escreveu há apenas duas semanas: a alta abstenção nas primárias do domingo revelará uma ação política de repúdio à MUD.”

Outros aspectos que o analista aborda são as diferenças em relação ao diálogo com o governo, indispensável ​​para alcançar os acordos de paz e a convivência necessária, o que, sem dúvida, também afetará a MUD no momento da contagem nas pesquisas, com uma abstenção previsível.

Evidentemente, os que aspiram ao cartel da MUD, seja da Ação Democrática, da Vontade Popular ou da Primeira Justiça, têm um caminho difícil a seguir e ainda mais, poucos dias, até o 15 de outubro, para levar uma mensagem convincente de seus objetivos.

Também será difícil mostrar ao povo venezuelano uma imagem que não os ligue à guerra econômica e a todos os tipos de coisas que inimigos externos lançam contra o país, das quais são os principais protagonistas.

Por outro lado, o PSUV e seus aliados que compõem o Grande Polo Patriótico, encontram fatores positivos como sua unidade, capacidade organizacional e mobilização.

No entanto, o lado do presidente constitucional, Nicolás Maduro, tem de superar um obstáculo maior na economia, além da guerra provocada por seus adversários, que exageram os constantes aumentos dos preços de alimentos e todas as mercadorias, sendo que uma grande parte do povo, equivocada, responsabiliza o governo por isso.

Se a MUD pode ser punida pela violência e as situações em que se mostra cúmplice e traidora, com planos externos contra o país, o governo deve trabalhar com afinco, para que os resultados da guerra econômica não o afetem e criem inibições, dúvidas e reservas entre as suas bases de apoio.

Espera-se que o ocorrido em 2015 não ocorra em 15 de outubro, um motivo para não ganhar uma esmagadora maioria dos governos nos 23 estados do país.

Em suma, este próximo enfrentamento, histórico para alguns, devido ao fato de que o seu resultado influenciará o futuro do país, deverá ser um choque entre os que apostam no diálogo e na paz e aqueles que acreditam na violência, como a substituta das urnas.

A MUD será afetada pela abstenção demonstrada pela rejeição à violência, e o Grande Polo da Pátria pelo peso da responsabilidade a ele agregada, devido à situação econômica. O vencedor, o povo revelará.

* Correspondente Chefe da Prensa Latina, na Venezuela

Fonte: Prensa Latina, tradução de Maria Helena De Eugênio para o Resistência

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