Opinião

Zillah Branco: Lula é o expoente da eleição presidencial

28/01/2018
Por Zillah Branco (*)
Esta é a conclusão do “julgamento” do, ex e sempre, Presidente dos brasileiros quando houver liberdade de escolha popular no Brasil. Lamento pelos dignos juristas que, no mundo inteiro no dia 24 de janeiro assistiram à tragédia que enterrou o sistema judicial brasileiro vitimado por um golpe meticuloso que minou o esqueleto do Estado além de colocar farsantes nas funções políticas dominantes no governo.
“Lula voltará!”, é o brado mundial das pessoas que lutam continuamente pela democracia e o respeito pelos direitos e a dignidade humanos. É um grito que vem da alma, acompanhado de lágrimas pelo sofrimento de um símbolo da soberania nacional que deu e seguirá dando a sua vida pela libertação do Brasil, que continuará estimulando a luta em defesa dos oprimidos em todo o mundo. É o eco que a história repete através dos 500 anos de colonização e escravidão que forja consciências na população lutadora produzindo novos heróis para a defesa da unidade do povo, da nação, da América Latina. Assisti ao mesmo fenômeno no Chile, de Allende, e no Portugal de Abril, de Vasco Gonçalves. Tal como no Brasil surgiram os arautos da “ameaça de guerra civil”, a direita contratou terroristas vestidos de povo e promoveu desordens, o medo da burguesia à verdadeira democracia alastrou-se com as exibições da falsa origem dos conflitos.
O sistema está em crise institucional enquanto o dinheiro voa alimentando um mercado de quinquilharias e drogas para não financiar a saúde, a educação, a previdência social, a ciência, o ambiente. Trump, presidente dos Estados Unidos, é criticado pelos seus concidadãos por exibir a imagem da mediocridade e da desonestidade nos quatro cantos do mundo. E ele o faz acintosamente, por saber que é a imagem que corresponde ao quadro político sustentado pelo capital.
Antes usavam as armas e desgastaram os militares que se prestavam à triste figura de impor ditaduras. Agora usam as leis, eternamente interpretadas pela elite, e corromperam as instituições jurídicas cujas carreiras se perpetuam como as dos antigos monarcas. Resta a dignidade de cada um, e a coragem de contestar. Começamos do zero neste mundo político de escombros. Daí a vitória de Lula, que semeou consciências, que despertou associações de luta popular para onde convergem intelectuais honrados, gente que recusa a destruição das conquistas institucionais em séculos de luta.
A direita conservadora vai-se reduzindo e buscando vestir-se de uma democracia “menos agreste” para os seus interesses de elite, uma democracia que se case com os seus privilégios e as suas idiosincrasias culturais. Reconhece que o povo sofre e multiplica as “sopas dos pobres” e as campanhas “caridosas”. Toca o sino da matriz quando os acidentes climáticos desalojam populações, queimam propriedades, provocam mortes. São os primeiros a clamarem pela salvação e os últimos a enfrentarem as responsabilidades por terem desprotegido as florestas onde cultivam eucaliptos para suas empresas de celulose ou por terem deixado a limpeza das suas terras por conta dos velhotes que são uma espécie de zeladores sem salário. São os arautos da provável “guerra civil” se houver a vitória popular.
Ilustres intelectuais chamam a atenção para o “perigo” de termos o povo revoltado. Alguns chegam a louvar o sistema judicial que “cumpriu a sua função” condenando, sem provas, o herói nacional! Preferem culpabilizar alguma “esquerda inexperiente” para fazer valer a cautela e o caldo de galinha que aquece a burguesia e alguns cérebros bem pagos que até leram os clássicos do pensamento revolucionário. E culpam o país pela violência, o racismo e o sexismo, como uma característica congênita, sem revelar que tais conflitos sempre foram criados para manter a elite no poder em todo o mundo.
O medo ao “povo que pensa e exige” tira o sono a muita gente que passa a vida jogando dados com hipóteses políticas alternativas. Não percebem que o mundo mudou, que Trump faz papel de idiota para receber financiamentos de última hora, que Rajoy assume um poder fascista para impedir que os que lutam pela independência possam tê-la na Cataluña, que a UE tenta construir sua base de apoio longe do tradicional Império, que a consciência e a ação das massas é imparável.
(*) Zillah Branco é cientista social, militante comunista residente em Portugal e integrante do Conselho do Cebrapaz.

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