Crise na Catalunha

Esquerda Unida afirma que posições dos governos espanhol e catalão são ‘insustentáveis’

05/10/2017

O coordenador federal da Esquerda Unida (IU, na sigla em castelhano), Alberto Garzón, remeteu na última terça-feira (3) uma carta aos responsáveis dos partidos políticos com representação parlamentar na qual propõe abrir o debate para “avaliar a construção coletiva de uma República federal” como forma de propiciar o diálogo ante a “crise de Estado” aberta pela situação de fratura social na Catalunha. “Pomos sobre a mesa uma proposta para transitar a um modelo federal, um modelo que permita renovar nosso sistema político, corrigir os erros que foram detectados em nível social, econômico, político e territorial. Entendemos que estamos diante de uma oportunidade perfeita para debater sobre o modelo da República federal”, disse.

O líder da IU fez essa avaliuação depois da reunião que manteve com o secretário geral do partido alemão Die Linke (A Esquerda), Bernad Riexinger, com quem compartilhou uma intervenção em um ato público sob o título “A esquerda frente ao auge da extrema direita”.

Garzón exigiu que se comece a negociar em relação a tudo o que está acontecendo na Catalunha. “Como não se pode responder aos problemas políticos com golpes, é importante fazê-lo com política. A proposta de debate sobre a República federal que fazemos chegar hoje aos partidos deste país tem como objetivo abrir uma nova via de diálogo e de negociação sobre propostas concretas. Não vale o imobilismo de Rajoy nem a intransigência de Puigdemont que só fazem gerar tensões”.

O porta-voz parlamentar da IU afirmou que este modelo de República federal “é para nós garantia de paz, diálogo e política. É o que melhor permite a união dos diferentes povos e nações da Espanha em um mesmo projeto comum, compartilhado (…) é impossível pretender que a Catalunha se mantenha em um projeto comum se se recebe a porretadas pessoas indefesas que simplesmente estavam demandando de forma pacífica um direito legítimo como o de manifestar sua opinião sobre seu futuro”.

Alberto Garzón denunciou que “nestes momentos nos encontramos diante de posições insustentáveis. A hipotética proclamação unilateral de independência é insustentável, não cremos que tenha nenhum fundamento, não houve um referendo com garantias e não houve realmente uma base social suficiente para fazer isso. Portanto, cremos que seria um gravíssimo erro por parte do governo de Puigdemont”.

“Mas tambiém – ressaltou – é insustentável a posição de Mariano Rajoy de não reconhecer a profundidade de um problema político desta natureza”. Portanto, “exigimos que se comece a negociar”.

O líder da IU assinalou que sua formação política apresenta propostas concretas de diálogo. “Podem não ser compartilhadas, mas vão ao centro da questão e esperamos que sejam recebidas de alguma forma esta carta e esta petição”.

Igualmente, Garzón indicou que “não nos parece razoável que Rajoy não tenha chamado nenhuma outra força política além do Cidadãos e do Partido Socialista. É evidente que isso não representa a maioria da sociedade catalã e, ainda que representem a maioria no Parlamento, atualmente isto não é suficiente para resolver o problema. Creio que o governo de Rajoy se equivoca muito se não abre o diálogo de forma imediata”.

Resistência, com IU

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