Opinião

Maduro é aclamado candidato para continuar a revolução

18/03/2024

O presidente da Venezuela se credencia a exercer mais um mandato por enfrentar pressões e garantir a soberania nacional, escreve o dirigente comunista José Reinaldo Carvalho

Por José Reinaldo Carvalho (*) – Em 17 de março último, o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, foi aclamado candidato à reeleição pelo PSUV (Partido Socialista Unido da Venezuela), num ato político em que foi marcante a presença popular e juvenil. “O PSUV desde as suas bases decidiu por consenso e aclamação que o candidato às eleições presidenciais é Nicolás Maduro”, disse na ocasião o primeiro vice-presidente do partido, Diosdado Cabello. O dirigente resumiu os motivos que levaram o PSUV a lançar a candidatura do atual chefe de Estado. “Maduro conseguiu manter a paz do país”, sublinhou Cabello, destacando também que o sucessor de Chávez conseguiu manter a unidade dos revolucionários, e o diálogo com forças que, mesmo na oposição, são democráticas. Maduro preservou as bases do chavismo como corrente política e desenvolveu ações em defesa do povo em meio às agressões de forças internas, adeptas de programas de extrema direita e de submissão ao imperialismo, e externas, capitaneadas pelos EUA.

Nicolás Maduro se credencia também à reeleição por ter afiançado seu comando sobre as Forças Armadas Bolivarianas, que desde Chávez se transformaram em um poderoso aparato de defesa nacional e aderiram ao anti-imperialismo.

Maduro tem executado uma política externa soberana com a diplomacia para a paz, promotora do diálogo em favor de novo equilíbrio do mundo, como país integrante do Sul Global e construtor do mundo multipolar. Sob sua liderança, a Venezuela enfrentou sanções e a tentativa de isolamento diplomático por parte dos Estados Unidos e outros países imperialistas e fortaleceu parcerias estratégicas com a China, a Rússia e o Irã, reforçando o campo da resistência e da multipolaridade.

Ao intervir no evento, Maduro mostrou confiança na vitória. Disse que conta com o apoio de todos os bolivarianos e chavistas. E exaltou o povo venezuelano, ao afirmar que “o candidato às eleições presidenciais não é um homem, mas um povo que defenderá o seu direito irrevogável de ser livre, independente e soberano.”

A candidatura de Nicolás Maduro à reeleição representa a possibilidade de enfrentar com êxito os desafios conjunturais, o combate aos efeitos nefastos das sanções econômicas, a implantação de políticas econômicas que promovam a recuperação do país, o desenvolvimento nacional multilateral, o combate à especulação, ao desabastecimento e à inflação. Representa também a continuidade, o aprofundamento e a consolidação da Revolução Bolivariana.

A Revolução Bolivariana aprofunda seu caráter democrático acentuando os mecanismos de protagonismo popular e unidade das forças revolucionárias. E perseverando na busca da

justiça social e da elevação do nível de vida do povo venezuelano, com políticas sociais nas áreas de saúde, educação, segurança alimentar e habitação.

A reeleição de Maduro significará a permanência de um estadista de peso na rearrumação de forças em curso no mundo. Adepto da multipolaridade, da construção de nova ordem econômica e política internacional, intérprete do ideário do Sul Global, a Venezuela é um protagonista ativo da luta anti-imperialista, uma voz enérgica que se levanta contra sanções, pressões, chantagens, golpes, intervenções e agressões aos povos, uma força que propugna o exercício do multilateralismo genuíno e a democratização ampla e profunda das relações internacionais, um defensor da soberania e autodeterminação de todas as nações.

Por isso a vitória de Nicolás Maduro nas eleições venezuelanas de 28 de julho terá impacto positivo para a solidariedade entre os países da América Latina e do Caribe, fortalecendo alianças entre os países que compartilham concepções anti-imperialistas e de integração regional soberana e mecanismos como a Alba (Aliança Bolivariana de Nossa América e a Celac (Comunidade de Estados Latino-americanos e do Caribe).

A eleição presidencial venezuelana ocorrerá a apenas três meses da realização da 16ª Cúpula do Brics na Rússia, ocasião em que está colocada em discussão a adesão de mais países, entre estes a Venezuela. Sua inclusão como membro pleno poderia fortalecer o grupo e diversificar sua representação geográfica. A riqueza venezuelana em recursos naturais, sua  localização estratégica, o histórico de cooperação internacional e posições firmes em favor do mundo multipolar são fatores que podem contribuir para aumentar ainda mais a influência global e o poderio do Brics. A admissão como membro pleno do Brics é mais um ganho estratégico que o povo venezuelano pode conquistar com a reeleição de Nicolás Maduro.

A candidatura de Nicolás Maduro abre perspectivas alvissareiras para a Venezuela no próximo período.

(*) José Reinaldo Carvalho é jornalista, editor do Resistência, membro do Comitê Central e da Comissão Política Nacional do PCdoB, onde coordena a área de Solidariedade e Paz. É presidente do Cebrapaz – Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz

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