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Otan reacende retórica contra a Rússia em período de cessar-fogo na Síria

07/03/2016

As crescentes declarações de propaganda da Otan vêm tratando a Rússia com hostilidade em um período em que o cessar-fogo na Síria acordado com os Estados Unidos parece estar funcionando.

O Comandante dos Estados Unidos na Europa, General Philip Breedlove, declarou durante a semana que a Rússia teria armado refugiados. Já no último sábado (5), o especialista mais experiente da Otan em comunicações estratégicas, Janis Sarts, reacendeu a retórica contrária à Rússia, dizendo ao Observer que o país está secretamente estabelecendo uma rede de movimentos políticos de extrema direita e de extrema-esquerda para promover a deposição da chanceler alemã, Angela Merkel. Ao declarar ao Observer que “é possível rastrear o financiamento da Rússia para as forças extremas na Europa”, Sarts falhou ao não conseguir nomear qualquer “acesso a informes de inteligência”.

“Eu tenho que considerar as palavras deste general da Otan como pura propaganda. A Otan não defende a Europa, defende os interesses dos EUA na Europa”, disse o general francês da reserva e especialista em inteligência Jean-Bernard Pinatel.

Segundo Pinatel, que chegou a escrever um livro sobre o assunto, a estratégia dos EUA desde 1991 tem sido usar a Otan para separar a Rússia do resto da Europa.

A recente retórica deve ser colocada no contexto do desejo do Senado dos Estados Unidos de reforçar a sua presença na região, de acordo com o almirante Alain Coldefy, diretor de pesquisa do Instituto de Relações Internacionais e Estratégia da França (IRIS).

“Isto acontece na forma de implantação das forças rotativas dos EUA na Polônia e na Europa em geral, adicionado a um aumento substancial nos orçamentos. Estas declarações são destinadas a tranquilizar os países bálticos e posições políticas da Polônia e dos Estados Unidos sobre a Ucrânia, e apresentar ações russas a partir de um ângulo perigoso, o que não é verdade “, disse Coldefy.

O comando dos EUA na Europa usa a retórica bélica para projetar a imagem de um partido belicista, como resultado dos êxitos da Rússia na Síria, de acordo com a cientista política do Instituto de Estudos Avançados da Defesa Nacional, Caroline Galactéros.

“Esta atitude crescente da Otan, adicionada à atual reativação da guerra civil na Ucrânia e ao aumento das atividades militares no seu flanco ocidental para defender os seus membros de supostas tendências agressivas russas são bastante preocupantes”, disse Caroline Galactéros.

Fonte: Sputnik

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