Oriente Médio

Síria: O colonialista acordo Sykes-Picot completa cem anos

16/05/2016

Depois de exatos cem anos do acordo Sykes-Picot para desmembrar a região do Oriente Médio, o Reino Unido e a França seguem agora as pautas de um terceiro protagonista: os Estados Unidos, e buscam atualizá-lo da maneira mais brutal.

Por Pedro Garcia Hernandez, na Prensa Latina

Em nome de seus respectivos governos, Mark Sykes e François George Picot, mais que diplomatas militares de certo escalão, deram nomes a um pacto secreto que viu a luz em 16 de maio de 1916.

Para os britânicos foi o controle de uma região que compreendia desde a costa mediterrânea até o Rio Jordão, o sul do atual Iraque e os hoje portos israelenses de Haifa e Acre.

A França guardou para si todo o sudeste da Turquia, o norte iraquiano e os territórios que conformam a Síria e o Líbano. O então Império russo dos czares receberia Istambul, os Estreitos Turcos e a Armênia, algo frustrado pelo triunfo da Revolução Russa em 1917. O objetivo público foi destroçar o Império Otomano e o secreto, manter e ampliar as zonas de influência e propiciar desde Meca, na Arábia Saudita, uma entidade afim aos interesses coloniais e contra o nacionalismo árabe em todo o Oriente Médio.

Promessas não cumpridas e manobras políticas que desvirtuavam o secretismo do acordo foram expostas um ano depois da Revolução Bolchevique na Rússia pelo então comissário de Assuntos Exteriores, Leon Trotski, que o expôs como evidência da deslealdade e das ambições imperialistas de Londres e Paris.

Por interesses criados, alguns que fazem a história a sua maneira, consolidaram a ideia da supremacia e da intrusão ocidental no mundo islâmico sobre a base de superdimensionar as diferenças étnicas, tribais e religiosas.

Nada de novo sob o sol. Os princípios do colonialismo francês e britânico constantes no acordo Sykes-Picot, de dividir para vencer em benefício próprio, têm atualmente uma dramática evidência e os Estados Unidos como um ator decisivo.

Como comparsas de Washington, as antigas potências coloniais exploram nesta época as alianças com as monarquias do Golfo – leia-se a Arábia Saudita e o Catar – e propiciam somente como sonhos o orgulho do império otomano desde Ancara.

Os conceitos básicos do hoje centenário acordo Sykes-Picot, que se espalham como a areia do deserto em meio a uma tormenta, contribuíram para arrasar o Iraque e a Líbia, desarticular a resistência palestina e tentam destruir o Estado sírio desde 2011.

Desta vez, utilizam o terrorismo como forma de ação compensatória ao tempo em que manobram politicamente para manter a divisão do mundo árabe, alentar o sionismo israelense em seus planos de segregação e aniquilação dos palestinos.

A memória histórica permite analisar as modificadas vigências em linhas gerais de um pacto que diante dos fatos atuais adquire na Síria uma dramática realidade e em um cenário em que os propiciadores do terrorismo demonstram suas sempre más intenções.

Tradução da Redação de Resistência

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