Europa

União Europeia sobre os incêndios em Portugal: “Deixa arder”

18/08/2016

Há mais de uma semana Portugal sofre com uma série de grandes incêndios que provocou a perda de vidas e destruiu casas e prédios. Neste artigo publicado no Avante!, Ângelo Alves denuncia o descaso da União Europeia diante da tragédia.

“Deixa arder”

Portugal está a viver um momento grave com as centenas de incêndios que deflagraram no continente e na região autônoma da Madeira. Só na semana entre 6 e 12 de agosto arderam 96.477 hectares, 20 vezes mais do que tinha ardido desde o início de 2016. Ao momento da redação deste artigo encontram-se ativos quase meia centena de incêndios. Trata-se de uma situação excepcional que exige medidas excepcionais.

Por Ângelo Alves

O governo português acionou, bem e a tempo, os acordos bilaterais de ajuda ao combate a incêndios e o mecanismo europeu de proteção civil. De Marrocos chegaram rapidamente dois aviões Canadair e da Rússia dois Beriev, aviões de grande capacidade. Da União Europeia chegaram dois Canadair espanhóis, país com o qual temos um acordo bilateral de combate a incêndios nas zonas de fronteira e com quem tradicionalmente temos uma cooperação bilateral nesta área, e um Canadair de Itália. França afirmou estar a considerar enviar recursos.

A “ajuda” da União Europeia é vergonhosa e demonstrativa da real “solidariedade” com que podemos dali contar. Tão vergonhosa que até o governo português sinalizou a crítica. A resposta política da UE, essa, chegou e foi lesta: “Neste momento vários Estados-membros estão a enfrentar graves incêndios florestais ou perigo extremo de incêndio florestal. Consequentemente, a disponibilidade de aviões é muito limitada”. Se a falta de solidariedade é já por si grave, a mentira na resposta política é criminosa. Basta olhar para os dados e mapas do sistema europeu de informação de fogos florestais (1) para chegar às seguintes conclusões: 1 – Portugal tem neste momento, sozinho, metade (101 mil hectares) de toda a área ardida na União Europeia; 2 – Os principais focos de incêndio concentram-se maioritariamente nos países que enviaram meios ou consideram enviar, Espanha, Itália e França; 3 – Portugal e Espanha, a par com a Grécia, são os países onde o risco de incêndio é máximo. Na Europa Central e do Norte o risco é baixo ou moderado. É caso para dizer que a União Europeia não serve nem para apagar fogos. A sua resposta ao drama que estamos a viver bem poderia ser traduzida na expressão “deixa arder”.

1 – http://forest.jrc.ec.europa.eu/effis/

Fonte: Avante!

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