Sionismo

Israel quer garantir mais impunidade para os crimes da ocupação

30/05/2018
Jovem palestino preso por tropas israelenses na sequência do anúncio da decisão da administração norte-americana de mudar a Embaixada em Israel para Jerusalém / Foto: palestinalibre.org

O Sindicato dos Jornalistas Palestinos denunciou veementemente a proposta que visa impedir a documentação fotográfica e em vídeo de soldados israelenses em serviço. A OLP também a condenou.

A proposta de lei, elaborada pelo deputado de direita Robert Ilatov, com o apoio do ministro israelense da Defesa, Avigdor Lieberman, foi apresentada na semana passada no Knesset e visa impedir a documentação fotográfica e em vídeo de soldados israelenses em serviço.

De acordo com o texto, divulgado pela imprensa israelense, “quem filmar, fotografar e/ou registar soldados no exercício das suas funções, com a intenção de minar o espírito dos soldados do Exército israelense e dos habitantes de Israel, incorre numa pena de cinco anos de prisão. Quem procurar prejudicar a segurança do Estado será condenado a dez anos de cadeia”.

O documento está a ser alvo de fortes críticas, por constituir mais uma tentativa de silenciar quem divulga e põe em causa as práticas do Exército israelense (IDF).

Já o autor da proposta defende que Israel tem a “responsabilidade de garantir às tropas israelenses ótimas condições para a execução das suas tarefas, sem se preocuparem com organizações de esquerda” – nome que é dado a diversas organizações de defesa dos direitos humanos, como a B’Tselem, que têm documentado a ação das tropas de ocupação israelenses no terreno.

Proposta “racista” que garante “cobertura formal a mais crimes”

Em comunicado, o Sindicato dos Jornalistas Palestinos (SJP) classificou a medida como “um ataque severo à profissão”, que visa “legitimar as práticas criminosas cometidas pelo Exército de ocupação israelense contra o povo palestino”.

A proposta constitui também uma tentativa de Israel “escapar ao castigo e à Justiça internacional”, garantindo “legitimidade a futuros crimes da ocupação israelense”, denuncia ainda o SPJ, citado pela PressTV.

Por seu lado, a Organização de Libertação da Palestina (OLP) destacou o ataque aos direitos de liberdade de imprensa e de expressão contido na proposta, acrescentando que, se as tropas do exército israelense não têm nada a esconder, “não há mal algum em documentar as suas ações contra os palestinos”.

“Israel está a manipular o seu chamado sistema legal democrático para garantir cobertura aos seus crimes de guerra” e “proteger os seus soldados de qualquer responsabilização judicial”, lê-se no comunicado emitido pela OLP, citado pela RT.

Inúmeros registos de violações de direitos

Existem registos fotográficos e em vídeo da brutalidade da ocupação israelense da Palestina ao longo dos anos. Em tempos mais recentes, esses registros multiplicaram-se, tornando-se “virais” nas redes sociais e levando a uma condenação mais ampla das ações das tropas israelenses e da sua brutalidade contra os palestinos.

Os exemplos recentes aumentaram exponencialmente com a brutal resposta militar aos protestos pacíficos da Grande Marcha do Retorno, na Faixa de Gaza ocupada, nos quais foram mortas mais de 110 pessoas, desde 30 de março.

Houve fotos que assumiram um carácter “icônico”, pelo modo como registaram a brutalidade da repressão israelense sobre o povo palestino, ajudando a combater os discursos, também midiáticos, que põem lado a lado vítimas e algozes. Igualmente vídeos, que “escandalizaram” milhares.

Num destes – filmado pela B’Tselem em 2016 – vê-se o soldado Elor Azaria a abater a tiro, a sangue frio, um palestino ferido e imobilizado no chão, em Hebron (Margem Ocidental ocupada).

Por causa do vídeo, o soldado foi levado a tribunal e condenado por homicídio. A pena, de 18 meses de cadeia, foi reduzida pelo menos duas vezes, de acordo com a PressTV, e Azaria já se encontra em liberdade.

Segundo declarações de um deputado da esquerda israelense à RT, o caso de Elor Azaria está na base da proposta apresentada, que tem como objetivo evitar que situações como essa se repitam. Ou seja, que soldados israelenses sejam condenados pelos crimes que cometem contra o povo palestino.

Fonte: AbrilAbril

 

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