Conselho Mundial da Paz

Socorro Gomes: Em defesa da ampla unidade das forças progressistas na luta pela paz

15/09/2018

Realizou-se de 12 a 14 de setembro a reunião da Região Américas do Conselho Mundial da Paz, coordenada por Sílvio Platero, presidente do Movimento Cubano pela Paz. A reunião foi organizada pela União Dominicana de Jornalistas pela Paz, dirigida por Juan Pablo Acosta García. Entre os brasileiros presentes, encontravam-se Antonio Barreto, presidente do Cebrapaz – Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz, e Socorro Gomes, presidenta do Conselho Mundial da Paz. Resistência publica a íntegra do pronunciamento de Socorro Gomes.

Companheiros e companheiras,

Antes de mais, gostaria de expressar minha satisfação por me somar a amigos e amigas da paz comprometidos com a nossa luta comum por um mundo mais justo, de respeito, soberania e justiça entre as nações, solidariedade entre os povos, e por uma região de paz e progresso compartilhado.
Quero saudar de modo especial os companheiros dominicanos que nos recebem, representados pelo presidente da Unión Dominicana de Periodistas por la Paz (UDPP), companheiro e amigo Juan Pablo Acosta García, que oferece sua hospitalidade e a excelente organização do nosso encontro.

Saúdo também a coordenação da Região América do Conselho Mundial da Paz, exercida de forma exemplar pelo distinguido presidente do Movimiento Cubano por la Paz y la Soberanía de los Pueblos (MovPaz), o companheiro Sílvio Platero.

Realizar a reunião regional neste momento de tão graves desafios aos povos do mundo e da nossa América é um feito de enorme importância. Nossa presença aqui, apesar das dificuldades que enfrentamos, atesta o compromisso com a nossa luta. Aos que não puderam somar-se a nós neste momento específico por circunstâncias e motivos que escapam à sua vontade também enviamos nossa saudação.

Amigos e amigas,

Como temos afirmado, o Conselho Mundial da Paz e as diversas forças populares e progressistas que lutam contra o imperialismo, o colonialismo, o neocolonialismo e todas as formas de exploração e opressão, que resistem à dominação estrangeira levantando a bandeira da paz e soberania, defrontam-se com graves ameaças e crescentes agressões por parte das forças retrógradas e belicistas, cujo objetivo central é impor é as suas agendas de dominação e saque de povos e nações.

A humanidade se vê confrontada com ameaças de proporções inimagináveis, cuja causa está na expansão descomunal da presença militar das potências imperialistas em todo o planeta, nos maciços investimentos na indústria bélica e na apropriação do progresso científico pela indústria da guerra que moderniza seus instrumentos de morte e opressão em detrimento da solução dos problemas que afligem os povos, como a fome e a miséria, as epidemias que assolam bilhões de pessoas no mundo, a acelerada destruição ambiental que põe em risco a própria existência da humanidade.

Nunca como na atualidade foi tamanho o retrocesso civilizatório decorrente das crises econômicas e sociais e das políticas promovidas pelas potências imperialistas (sobretudo pela superpotência estadunidense, ainda que vivendo um período histórico de decadência relativa).

As políticas impostas pelas potências hegemônicas comprometem o desenvolvimento econômico e social dos povos, mutilam a democracia, ferem os direitos humanos, agridem o meio ambiente.

Estas potências ingerem nos assuntos internos das nações; promovem invasões, ofensivas militares ou golpes de Estado de variada natureza, instrumentalizam campanhas midiáticas, mobilizam recursos financeiros para apoiar guerras devastadoras que acarretam extremo sofrimento à humanidade.

É nosso dever denunciar e combater os principais instrumentos e táticas empregados para a execução de tais políticas. A proliferação de armamentos nucleares e a disseminação de bases militares por todo o planeta são algumas das que temos combatido com maior afinco.

Em nossa região atuam forças obscurantistas, conservadoras e reacionárias que buscam de todas as formas participar e levar seus povos a se submeterem a tais agendas em posição de evidente subserviência, na total contramão dos anseios nacionais.

Por exemplo, a Colômbia, que já era um dos países com o maior número de bases militares estadunidenses em nosso continente e que sempre se alinhou estreitamente aos planos e políticas imperialistas, não só passou a integrar a OTAN como seu “parceiro global” como também anuncia sua retirada da União de Nações Sul-Americanas (Unasul), hostilizando assim a justa política de integração regional tão cara aos povos e nações. Após tantas décadas de um brutal conflito armado que vitimou milhões de pessoas, que os colombianos lutam arduamente por superar em prol da construção da paz com justiça social, o Uribismo retorna à Presidência da República, prometendo colocar o esforço de anos de diálogo e conquistas diplomáticas a perder, garantindo a continuidade do paramilitarismo e a volta do terrorismo de Estado. Centenas de líderes populares e militantes de partidos progressistas e movimentos sociais já foram assassinados e a perseguição, a censura e a intimidação persistem como tática da oligarquia nacional, amparada no paramilitarismo e cada vez mais na política de retrocessos anunciada pelo governo de Iván Duque.

Não é de surpreender que tal política nacional tivesse também sua componente regional, em que a Colômbia é usada como um grande posto avançado dos Estados Unidos na região para ameaçar e agredir os povos que lutam pelo progresso soberano e solidário, pela segunda e definitiva independência. Assim, o antagonismo ao legítimo governo bolivariano da Venezuela se expressa, desempenhando a Colômbia o triste papel de colaborador dos EUA para a desestabilização desse país.

Mais recentemente, o mundo assistiu ao atentado contra a vida do presidente Nicolás Maduro (que denunciamos com toda indignação e revolta), demonstração do caráter da intentona golpista no país, tramado e respaldado pela ingerência dos Estados Unidos contra um governo legitimamente eleito, promovendo o uso da guerra midiática e destruição econômica associada à disseminação de atos terroristas, causando a profunda grande crise política e social que assola o país. E ainda há poucos dias foi revelado através do próprio The New York Times, citando fontes oficiais do governo estadunidense, o encontro entre funcionários do governo Trump com militares venezuelanos supostamente rebeldes e dispostos a organizar um golpe de estado contra o presidente Maduro. Como em outros momentos e outras regiões, o cínico e falso discurso dos EUA é o mesmo, que tais encontros e alianças visam ao “restabelecimento da democracia”. Esta é mais uma afronta e mais um crime que devemos denunciar! Já temos evidências demasiadas da catástrofe criada por tais intromissões; a persistente ingerência nos assuntos domésticos da Venezuela parece buscar provocar uma guerra civil para destruir a soberania nacional. Os povos serão “danos colaterais”, no linguajar do império.

Mas o povo e o governo venezuelanos resistem heroicamente na Pátria de Bolívar e Chávez, defendendo com altivez sua soberania e as conquistas da Revolução Bolivariana idealizada pelo Comandante Hugo Chávez e construída pelo povo. O governo liderado pelo presidente Nicolás Maduro se dedica com determinação a manter o diálogo nacional e a busca do progresso social e a paz.

A Venezuela bolivariana é fonte de inspiração para os povos da nossa América e do mundo e sua resistência anti-imperialista é odiada e combatida pelas potências, sobretudo os EUA, que buscam liquidá-la, custe o que custar.
Golpes de Estado, desestabilização, ingerência, ameaças e sanções econômicas estão na cartilha infame dos Estados Unidos para dominar os povos que não se submetem aos seus desígnios. Oportunamente nesta data recordamos o 11 de setembro do Chile quando, em 1973, o presidente Salvador Allende foi derrubado com o patrocínio dos EUA. Os períodos mais horrendos da história do continente após a descolonização são tão recentes quanto as ditaduras regadas pelos dólares estadunidenses e pela tortura e assassinatos de que milhares de pessoas foram vítimas. Como disse Luís Suarez, é a crônica dos crimes estadunidenses contra a humanidade, que em nosso continente assassinou em torno de um milhão de pessoas, com sua facinorosa política de golpes. Vemos a persistência da mesma estratégia nas tentativas fracassadas na Venezuela, usadas hoje na Nicarágua e em El Salvador ou concretizadas no Paraguai e no Brasil, onde um golpe parlamentar-midiático-judicial derrubou uma presidenta legitimamente eleita e encarcerou o maior líder popular do país, tornando prisioneiro político Luiz Inácio Lula da Silva, um presidente respeitado mundialmente pelos compromissos com a superação de uma história de exploração e exclusão, com o fim dos privilégios em prol da inclusão social e da soberania nacional, com um país que pudesse contribuir nos temas mais importantes no cenário internacional para superar o papel de um presidente anterior que só dizia, como o atual governo voltou a dizer “amém” aos ditames de Washington.

Mas o povo brasileiro resiste na luta por sua liberdade, pela democracia e contra os efeitos nefastos do golpe e da agenda servil que este reintroduziu para tentar acabar com a esperança de um futuro melhor. Aproveito a oportunidade e com a licença do CMP agradeço a inesgotável solidariedade que os brasileiros e brasileiras temos recebido dos movimentos de paz da região e do mundo.

Também está na história da resistência popular e soberana, solidária e humanista, a luta do povo cubano pela construção da sua Revolução por uma nação soberana e independente, de progresso compartilhado entre cada cubano e cubana e estendido a cada povo em luta em todos os continentes. Por isso, nossa denúncia reiterada do criminoso e persistente bloqueio imperialista da Maior das Antilhas deve ser reforçada. Através da breve e já ameaçada reaproximação diplomática entre Cuba e Estados Unidos, os líderes estadunidenses, que ignoravam a demanda de uma parte significativa da sua própria população e do movimento da paz e da solidariedade no país, reconheceram o fracasso da política de acosso e tentativa de isolamento do povo cubano. Entretanto, o presidente Donald Trump decide suspender um processo de conquistas importantes, ao tempo que mantém o mais odioso e longo bloqueio econômico a um país, e a base da Marinha de guerra dos EUA em Guantânamo, território cubano, criminosamente mantido sob ocupação estadunidense.

Para seguir ameaçando Cuba e Venezuela, assim como a qualquer outro governo progressista na América, um dos principais instrumentos institucionais é a Organização dos Estados Americanos, que em seu tempo o diplomata cubano Raúl Roa García denunciou como o “ministério das colônias” dos EUA. De forma apropriada, a expressão foi retomada pelo presidente Maduro para confirmar a saída da Venezuela desta organização.

Por outro lado, os governos regionais lacaios aglutinados no chamado Grupo de Lima, como o governo ilegítimo e golpista do Brasil, alinham-se servilmente aos desmandos de Trump para somar-se ao coro contrário aos governos progressistas que valentemente resistem, embora os governos do Grupo de Lima não valham uma pequena fração do caráter democrático, patriótico e popular dos seus alvos. Dão preferência aos agrupamentos e organizações regionais e internacionais que melhor servem aos interesses do império em detrimento das alternativas de integração regional soberana e solidária, caso da OEA ou da troca da Unasul pela Aliança do Pacífico, em alguns casos. Um escárnio contra os legítimos anseios dos povos latino-americanos, que há apenas quatro anos seus líderes uniam-se em compromisso solene com a proclamação da América Latina e do Caribe como Zona de Paz durante a Cúpula da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) em Havana. Ainda assim, este é um compromisso e uma demanda dos povos e por sua realização seguiremos lutando!

Neste sentido é que fortalecemos a já histórica campanha contra as bases militares estrangeiras, que hoje se espalham de Guantânamo a Okinawa, da Tierra del Fuego ao Ártico, de Agadez, no Níger, a Pine Gap, na Austrália. Nossa luta foi mais recentemente reforçada pela importantíssima conquista da unidade das forças da paz nos Estados Unidos e que, em novembro, será elevada a novo patamar com a realização da Conferência Global em Dublin, na Irlanda. O sucesso dessa luta depende da ampliação e do aprofundamento dos nossos esforços, como há muito temos enfatizado. Com a realização do Seminário Internacional pela Paz e a Abolição das Bases Militares Estrangeiras em Guantánamo, a consolidação de redes e coalizões contra as bases na Argentina, no Japão, em diversos países europeus, nos EUA, no Canadá e em tantos outros lugares, iniciativas de que somos promotores ou participantes através das diversas organizações membros do Conselho Mundial da Paz, os novos impulsos que damos devem ser sustentados e aprofundados em prol do fortalecimento urgente da nossa luta contra os postos avançados do imperialismo!

No quadro de compromissos do CMP, desenvolve-se a nossa luta decidida contra as armas de destruição em massa e a militarização do planeta em geral, ameaças que só podem traduzir-se em devastação ou até mesmo na aniquilação.

Com as crescentes agressões e preparo para a guerra, com tensões escaladas e diversos eixos e a agressividade redobrada do imperialismo, é cada vez mais premente o reforço da nossa luta e a demanda por compromissos reais e efetivos, para além de tratados ilusórios e retórica.

A paz, para nós, não é um ideal etéreo a ser introduzido em discursos cínicos proferidos pelos que se dizem guardiães da civilização e da democracia, mas não medem as consequências das suas políticas para garantir o abastecimento das suas máquinas de guerra e consumo às custas do espólio dos recursos dos povos, do seu sofrimento, da sua opressão e da destruição do planeta.

Por isso, também rechaçamos as teses que outrora declaravam o fim da história e hoje declaram o fim do progresso, ou a derrota das forças progressistas e do ciclo soberano e solidário que tanto inspirou os povos a acreditar que juntos conseguimos resistir às agressões imperialistas e construir um futuro de paz, justiça social e independência nacional, de amizade e solidariedade internacional. As conquistas que acumulamos nas últimas décadas e a certeza de que há alternativa a uma ordem mundial de exploração e dominação são os principais alvos das forças reacionárias que retornam ao poder em alguns países através do golpe e da guerra midiática e crescentemente fascista, respaldadas, como sempre, pelo imperialismo estadunidense.

Mas de sul a norte, de leste a oeste, os povos resistem. Na Argentina, Bolívia, Brasil, Canadá, Chile, Colômbia, Cuba, El Salvador, Equador, Estados Unidos, Honduras, México, Nicarágua, Paraguai, República Dominicana, Venezuela e tantos outros países, seguiremos defendendo solidariamente a revolução cubana e a revolução bolivariana, a liberdade de Lula e a independência de Porto Rico, a devolução das Malvinas à Argentina, o fim do bloqueio a Cuba e o retorno de Guantánamo ao seu povo, a paz com justiça social da Colômbia, a derrota das grandes corporações exploradoras dos trabalhadores estadunidenses e mexicanos, a recuperação do Haiti e a conquista nesse país do desenvolvimento soberano e altivo, entre tantos desafios com que ainda nos defrontamos na luta contra o neoliberalismo e o neocolonialismo, contra a política de guerras.

Para vencermos os obstáculos e superarmos os desafios de construção de um mundo de Paz é imprescindível a unidade ampla das forças populares e progressistas. Esta é a bandeira da esperança. A unidade na luta pela Paz e pela soberania é um instrumento para derrotar o império guerreirista que, apesar de seu poder bélico e de sua política de ameaças e terror, não é invencível e será derrotado!

Resistência, com informações da Presidência do CMP

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