Especialistas questionam avaliação de Trump sobre arsenal nuclear

Armas nucleares

As declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a suposta efetividade, disposição combativa e fortaleza do arsenal nuclear desse país, causam preocupação e rejeição de especialistas no tema.

No meio de crescentes tensões relacionadas ao programa nuclear da República Popular Democrática da Coreia (RPDC), qualificado de defensivo pelas autoridades de Pionguiangue, o chefe da Casa Branca fez uma apologia sobre a situação atual das armas atômicas em poder do Pentágono.

Segundo escreveu o governante em sua conta da rede social Twitter, sua primeira ordem como presidente “foi renovar e modernizar nosso arsenal nuclear que agora é mais forte e poderoso que nunca antes” e a seguir advertiu a Coreia Popular que em uma eventual confrontação “se encontrarão com um fogo e uma fúria nunca vistos no mundo”.

Uma análise publicada nesta quinta-feira (10) no site Defense News assinala que, na realidade, o número de ogivas atômicas foi reduzido nos últimos sete meses para cumprir com os novos limites do Tratado START e, por exemplo, atualmente há 400 foguetes balísticos intercontinentais (ICBM), o nível mais baixo desde o início de 1960.

Ao referir-se aos qualificativos de Trump sobre este poderio norte-americano, o especialista Stephen Schwartz, ex-editor da publicação especializada Nonproliferation Review assinalou que “são totalmente absurdos, porque durante os últimos 201 dias não ocorreu nada para aumentar o poder geral do arsenal nuclear estadunidense”.

Ao mesmo tempo, a diretora executiva do Centro de Controle e Não Proliferação de Armas, Alexandra Bell, considerou a afirmação do chefe da Casa Branca uma “mentira total” pois os planos de modernização destes artefatos já estavam em marcha antes que Trump ocupasse a presidência e seu próprio orçamento ainda não foi aprovado.

Kingston Reif, diretor de políticas de desarmamento e redução de ameaças da Associação de Controle de Armas, disse em um twit que “a imprudência de seu descaramento nuclear é uma tolice”, pois Obama pôs em marcha planos em massa de atualização, que continuam em fase de implementação.

Em declarações a Defense News, Reif assinalou que o arsenal de Estados Unidos não é mais poderoso do que era quando Trump assumiu o cargo e sua primeira solicitação de orçamento dá continuidade ao enfoque de Obama, enquanto outras fontes assinalam que a política nuclear do governante ainda está em sua etapa inicial, que se espera avanço a partir da atual revisão da postura do Pentágono para este tipo de armamentos.

Cálculos conservadores assinalam que a modernização dos sistemas de armas atômicas dos Estados Unidos custaria ao redor de um trilhão de dólares nos próximos 30 anos, se finalmente os recursos financeiros imprescindíveis para esta tarefa forem aprovados.

Além dos elementos anteriormente assinalados, durante os últimos três anos detectaram-se sérias deficiências nas unidades das forças estratégicas, devido a uma reiterada falta de investimentos.

Com o fim de neutralizar as carências mais prementes, o Departamento de Defesa aprovou para o período 2014-2019 um plano de 10 bilhões de dólares.

Por outra parte, desde 2014 vários escândalos sacudiram o ambiente militar estadunidense ante deficiências detectadas em auditorias a unidades de lançamento de ICBM.

Meios de imprensa estadunidenses revelaram que mais de trinta oficiais encarregados destes mísseis estavam envolvidos em escândalos de fraudes a respeito da disposição combativa de seus respectivos comandos, que vieram à tona durante investigações sobre o consumo de drogas nas referidas instalações.

Nas manchetes destes meios influi o fato de que a 8 de abril de 2010 Obama e o presidente de Rússia, Dmitri Medvédev, assinaram uma versão atualizada do Tratado de Redução de Armas Estratégicas (START) em Praga, República Tcheca, que foi ratificado por ambos países em dezembro de 2010 e janeiro de 2011.

Neste convênio as partes comprometeram-se a reduzir seu arsenal atômico em dois terços, o que supunha limitar a 1.550 ogivas cada uma das partes e a 800 plataformas de lançamento de ICBM, lançadeiras submarinas para mísseis balísticos e bombardeiros pesados equipados com armamento nuclear.

Fontes oficiais assinalam que para meados deste ano, os Estados Unidos dispunham de 4.018 ogivas nucleares em uso ou armazenamento, mas entidades não governamentais na nação setentrional como a Federação de Cientistas Americanos assinalam que a cifra se eleva a mais de 7.700 cabeças atômicas, quantidades que de todas formas têm capacidade para destruir o globo terráqueo.

Fonte: Prensa Latina

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