Forças apoiadas pelos EUA em rota de colisão com o Exército Sírio

Síria

Soldados do Exército Árabe Sírio pouco depois do levantamento do cerco a Deir ez-Zor / Foto: Sputnik

As chamadas Forças Democráticas Sírias têm estado a avançar rapidamente sobre Deir ez-Zor, a leste do rio Eufrates. Mas este avanço não está a ser visto com bons olhos pelo Exército Árabe Sírio. O risco de um confronto direto é real.

No passado dia 5, o Exército Árabe Sírio (EAS) e forças aliadas no terreno, apoiadas pela aviação e mísseis Kalibr russos, quebraram o cerco imposto pelo Daesh a Deir ez-Zor. Continuando a limpar a área de forças terroristas, no sábado o EAS conseguiu pôr fim ao bloqueio ao aeroporto militar, que ao longo de três anos assumiu um papel fundamental para a sobrevivência da cidade sitiada.

Na sequência desta vitória sobre o Daesh, a que Moscou atribuiu um cunho “decisivo” e “estratégico”, as chamadas Forças Democráticas Sírias (FDS), curdas na sua maioria e apoiadas pelos Estados Unidos, deram início a uma ofensiva sobre Deir ez-Zor, localizada cerca de 450 quilômetros a nordeste de Damasco e 140 quilômetros a sudeste de Raqqa, principal palco de atuação da coligação internacional liderada pelos EUA.

No sábado passado, o Pentágono emitiu um comunicado a anunciar que a dita coligação internacional, que opera na Síria desde setembro de 2014, sem mandato da ONU e sem autorização do governo de Damasco, lançava a “Operação Tempestade Jazirah”, a norte de Deir ez-Zor, no Leste da Síria.

O Pentágono confirmou que a coligação irá apoiar – com “equipamento, inteligência e logística” – as forças predominantemente curdas na ofensiva do Vale do rio Khabur – um rio que desce para sul na província de Deir ez-Zor e se junta ao Eufrates cerca de 35 quilômetros a sudeste da capital provincial.

No domingo, um porta-voz da coligação internacional anunciou que as FDS tinham conquistado cerca de 250 quilômetros quadrados desde o início da ofensiva, revela. Entretanto, várias fontes davam conta de que as FDS estavam a poucos quilômetros da cidade de Deir Ez-Zor, a leste do Eufrates.

De acordo com a Al-Masdar News, as FDS terão capturado a base da 113.ª Brigada e partes do distrito de Al-Salihiyah. Quase em frente, do outro lado do Eufrates, o EAS tem continuado a infligir derrotas ao Daesh e, já esta segunda-feira, conquistou os montes estratégicos localizados a sudoeste da Base Liwaa Tameen.

Ainda de acordo com a Al-Masdar News, o avanço das FDS no lado oposto do rio não está a ser bem visto pelo Alto Comando do Exército Sírio, que encara a operação como uma tentativa de travar o avanço das forças governamentais para leste. Uma fonte do EAS disse que as FDS estão a procurar expandir-se rapidamente para sul de Deir ez-Zor com o objetivo de impedir a aterragem anfíbia por parte das forças governamentais e, assim, o acesso à região da província que fica a leste do Eufrates.

EUA querem manter-se na região

Um representante das FDS disse que não iriam a atacar o EAS e seus aliados, mas o risco de um confronto direto aumenta, na medida em que, com a ofensiva militar lançada no sábado, a coligação internacional liderada pelos EUA está a guardar para si a região mais rica em petróleo da província de Deir ez-Zor e a impedir o avanço das forças governamentais em direção à fronteira leste com o Iraque.

Michael Maloof, um antigo funcionário do Pentágono, disse que “vai ser uma corrida”, “com o Exército sírio, apoiado pelos russos, a vir do ocidente e os EUA a virem do norte e do leste”.

Os EUA estão a usar os curdos para se “entrincheirarem de forma permanente na província síria rica em petróleo e que faz fronteira com o Iraque”, afirmou Maloof, que considera que a ofensiva norte-americana é “calculada” e “se destina a manter a presença dos EUA em Deir ez-Zor”.

Apesar de ter sido o EAS, com a ajuda dos russos, a libertar Deir ez-Zor do cerco, “os EUA querem ocupar a área com a ajuda dos curdos”, disse Maloof, acrescentando que os norte-americanos pretendem, inclusive, construir ali uma base, por uma questão estratégica, sobretudo “para tentar manter influência sobre o vizinho Iraque”, frisou.

Em última análise, “o Exército sírio terá de reocupar a região, o seu país», disse, sublinhando a necessidade da existência de conversações entre a Rússia e os EUA, por forma a evitar um conflito ainda maior na região.

Fonte: AbrilAbril

Compartilhe: